Inspirado na história Alice no país das maravilhas.
Sonhei..
Sim, sonhei que estava deitada sobre a grama verde e macia dos campos de Balder, ergui a cabeça e pude contemplar a beleza das colinas repletas de urzes e a mata fechada mais ao sul, as montanhas despontando no horizonte e o cheiro inesquecível das flores do campo e lembro que usava um vestido muito longo, vermelho com o peitoral de corselete e meus cabelos estavam soltos, perfumados, um momento que não desejo esquecer mesmo sabendo que não passava de um sonho, pois Balder não existe mais, não da maneira que repousa em minhas lembranças e ainda sentada movendo as mãos sobre as flores escutei um som, algo se movia mais a frente, rápido enquanto resmungava sem parar e curiosa como sempre me levantei, passando a correr em direção daquele barulho, sentindo que me aproximava da floresta e então parei quando as sombras das árvores ocultaram o sol quente percebendo as formas que se embrenhavam na mata escura, intrigada porque me pareciam conhecidas e mais alguns passos até estar diante de um imenso buraco por onde a criatura entrou e podia o enxergar se afastando devagar e fora quando gritei – Hein... Você! – Fiquei esperando alguma resposta e quando aquele rosto se virou em minha direção pude identificar os traços nitidamente, mas não entendia o que estava acontecendo – Senhor Voltaire? – Mas como, porque e mais que isso, ele seguiu sempre em frente com aqueles resmungos e comecei então a segui-lo correndo como se aquele buraco, toca, não tivesse um fim, ficando estreito, escorregadio e então acabei caindo, assim como antes parecendo o fazer por uma eternidade, achei que nunca iria parar de cair... Caindo... Caindo até sentir as folhas amarelas sobre o chão que agora acomodava minhas costas e inexplicavelmente não me feri, nem mesmo sentia dor alguma e novamente aquele som e a visão do paladino correndo, agora estava irritada.


