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29 agosto 2020

Khufu e o mago Djedi

O príncipe Djedefhor levantou-se para Falar: "Até agora, a tua majestade só ouviu historias sobre prodígios efetuados por homens sábios de outros tempos. E impossível saber se essas histórias são verdadeiras ou falsas. Mas o que se poderá dizer sobre os feitos de um homem deste tempo que a tua majestade não conhece?"
E sua majestade disse: "Que feitos são esses, meu £ilho?"

Respondeu Djedethor: "Existe um homem chamado Djedli que mora em Djedseneferu, justificado. Tem cento e dez anos de idade, come quinhentos pães, metade de um boi e cem jarros de cerveja, e sabe recolocar uma cabeça separada do corpo, fazer um leão caminhar calmamente atrás dele e ainda sabe o número das câmaras secretas do santuário de Toth."

Ora a majestade do rei Khufu, justificado, sempre quisera saber o número dessas câmaras, a fim de reproduzi-las no seu horizonte. Por isso, mandou que Djedefhor fosse buscar Djedi.
Logo que os barcos de viagem ficaram prontos, Djedefhor partiu da residência real e viajou para sul, rumo a Djedseneferu, justificado, subindo o Nilo. Quando os barcos chegaram à margem, ele seguiu pela estrada sentado numa liteira com varais de ébano cobertos por folha de ouro.

Quando chegou a casa de Djedi, a liteira foi baixada para terra. Então ele levantou-se para saudar Djedi, que estava sentado sobre uma esteira a entrada de casa. Um servidor cobria-lhe a cabeça com ungüento, enquanto outro lhe massageava os pés.
Então o príncipe Djedefhor disse: "O teu estado é semelhante ao de um homem que ainda não atingiu a velhice, se bem que na realidade estejas já envelhecido, perto do momento da morte e do enterro. Estás no estado de um homem que dome de noite sem problemas, que não tem doenças nem acessos de tosse."

É assim que se saúda uma pessoa venerável.


[E Djedefhor disse:] "Vim aqui para te chamar, da parte de meu pai Khufu, justificado. Comerás belos manjares dados pelo rei a quem o serve, e ele far-te-a, depois de uma vida feliz, um belo sepultamento junto a teus pais, que estão na necrópole."
Então Djedi respondeu: "Em paz, em paz, Djedefhor, filho real amado de seu pai Que te recompense o teu pai Khufu, justificado. Que ele te promova entre os anciãos. Possa o teu ka lutar contra o teu inimigo e o teu ka conhecer os caminhos que te levam a porta de Hebesbag."
E assim que se saúda um filho de rei.

Então o príncipe Djedefhor estendeu-lhe as mãos e ajudou Djedi a erguer-se, caminhando com ele de mão dada ate à margem. Em seguida, Djedi disse: "Faz com que me cedam uma barca, para que eu possa levar os meus filhos e os meus livros.>~
Duas barcas com a sua equipagem foram então colocadas a disposição de Djedi, o qual embarcou no barco onde seguia o príncipe Djedefhor. Quando chegaram à corte, o príncipe Djedefhor entrou antes para pôr ao corrente a majestade do rei Khufu, justificado.

Então o prínncipe Djedefhor disse: "Soberano, vida, força e saúde, meu senhor, trouxe comigo Djedi."
Sua majestade respondeu: "Vai e trá-lo aqui."

Depois, sua majestade entrou na grande sala do palácio, vida, força e saúde, e Djedi foi introduzido lá.
Perguntou sua majestade: "Como foi que até ao presente eu nunca te vi, Djedi?".
Respondeu Djedi: "só quem é chamado é que vem, soberano, vida, força e saúde, agora fui chamado e vim."
E perguntou sua majestade: "É verdade, segundo o que se conta, que podes juntar ao corpo uma cabeça cortada?"

Djedi respondeu: "Sim, sei fazer isso, soberano, vida, força e saúde, meu senhor."

Então sua majestade disse: "Tragam-me o prisioneiro que está na prisão para ser executado."
Mas Djedi respondeu: "Não, um ser humano, soberano, vida, força e saúde, meu senhor, porque é proibido fazer semelhante coisa ao gado sagrado [dos deuses]..."

Então trouxeram-lhe um ganso a quem tinham cortado a cabeça, colocando-se o ganso no canto oeste da grande sala e a cabeça no lado leste da grande sala. Djedi pronunciou algumas palavras mágicas, e o ganso ergueu-se, cambaleando, e a cabeça fez o mesmo. Quando as duas partes se juntaram, o ganso levantou-se, grasnando. Depois ele fez o mesmo com outro ganso. E sua majestade mandou que lhe trouxessem um boi cuja cabeça tinha sido cortada. Djedi pronunciou algumas palavras mágicas, e o boi ergueu-se perante ele.

E disse Khufu: "É verdade, como ouvi dizer, que sabes o número de câmaras secretas que há no santuário de Toth?"

Djedi respondeu: "Permita-me a tua majestade dizer que o número não sei, soberano, vida, força e saúde, meu senhor, mas sei onde pode ser encontrado."

Sua majestade perguntou: "Onde está"

Djedi respondeu: "Num cofre de pedra que está numa câmara do templo de Heliópolis, chamada câmara do inventário".
E sua majestade disse: "Vai então buscá-lo para mim."

Djedi respondeu: "Soberano, vida, força e saúde, meu senhor, não posso trazê-lo. Isso tem de ser feito pelo mais velho dos três filhos que estão no ventre de Reddjedet."
E sua majestade disse: "Então que se faça isso. Mas afinal quem e essa Reddjedet?"

Djedi respondeu: "É a esposa de um sacerdote de Rá, senhor de Sakhebu, que está grávida de três crianças de Rá, senhor de Sakhebu. O deus disse que eles exerceriam essa função benéfica de rei e que o primo-gênito deles seria o grande dos videntes em Heliópolis..."

Ao ouvir isso, o coração de sua majestade caiu na tristeza, mas Djedi disse-lhe: "Mas o que e essa tristeza, soberano, vida, força e saúde, meu senhor? É por causa das três crianças? Nota que tu, depois o teu filho e depois o filho dele reinarão antes do primeiro dos filhos de Reddjedet..."

Então sua majestade perguntou: "Quando é que Reddjedet dará a luz?>~

Djedi respondeu: "No décimo quinto dia do primeiro mês do Inverno".

E sua majestade disse: "Ora é justamente nessa altura que os bancos de areia do canal dos Dois Peixes ficam a descoberto, servidor. Já passei por lá. de barco para ver o templo de Re, senhor de Sakhebu."

E Djedi respondeu: "Pois bem, farei com que haja quatro covados de água sobre os bancos de areia do canal dos Dois Peixes..."

Então sua majestade entrou no seu palácio e disse: "Que Djedi entre na casa do príncipe Djedefhor e que viva com ele e que lhe sejam asseguradas rações alimentares de mil pães, cem jarros de cerveja, um boi e cem vegetais..."

E tudo foi Leito de acordo com o que sua majestade tinha ordenado.


Fonte: http://contosencantar.blogspot.com.br/2011/03/khufu-e-o-mago-djedi.html

22 agosto 2020

O arco sob a lua

Por Leandro Radrak

(Este conto se passa na Era dos Dragões, muito antes da Era de Rashidi )


Ônix levou a pata à boca e a lambeu de modo despreocupado, passando-a em seguida no rosto felino. Era um gato peculiar. Um animal feito da mesma pedra que lhe dava o nome. Sua pele era completamente preta, lisa e brilhante, dando ao animal um aspecto mágico. Seus olhos ostentavam um verde intenso e emanavam ansiedade e astúcia.
Ele ignorava seu companheiro mal humorado, que o observava de cima, bufando. Um dragão de ébano que Ônix vira nascer e ajudara a criar, porém, tinha receio, o veria morrer preso nas teias da vingança.
– Estou perdendo meu tempo... – rosnou o dragão ao seu lado, tirando os olhos do felino para encarar o horizonte.
Distantes, nuvens pesadas açoitavam o solo com relâmpagos mudos. Centenas de seres alados se digladiavam, soprando fogo, gelo, energia pura ou líquidos diversos. Também invocavam feitiços ancestrais, comandando os elementais e pintando no horizonte um colorido quadro de caos e destruição.
– Seu inimigo não está lá. – resmungou o gato, assumindo uma pose austera.
– Não ainda...
– Que tal uma história, meu bom Sukemarantus? Algo para acalmar sua ansiedade? Tenho algo na ponta da língua que combina com a guerra de estupidez épica que vemos à nossa frente. Algo que faz frente a tal paisagem de morte entre nossos irmãos. – sugeriu Ônix, com tom maroto.
– Tenho escolha? Vejo que é por isso que você me mantém aqui.
O gato se espreguiçou, saltou para uma rocha mais alta e encarou o companheiro. Tinha um sorriso vitorioso entre os bigodes.
– Juro que um dia eu o engulo. – rosnou o dragão.
– Você poderia tentar, mas creio que seria indigesto se eu assumisse minha forma draconica dentro de você...

15 agosto 2020

O marido enganado

O príncipe Khafré levantou-se para falar: “Vou contar à tua majestade um prodígio que aconteceu no reinado do teu pai Nebka, justificado, quando ele foi ao templo de Ptah, senhor de Ankhhtaui”.
Ora quando sua majestade foi a Ankhtaui, chamou o sacerdote leitor chefe Ubaoner. Aconteceu que a mulher de Ubaoner se apaixonou por um homem da cidade e mostrava a sua afeição mandando presentes de roupa pela sua serva. Sempre que havia condições, ela mandava a serva levar o seu amante até à casa de Ubaoner. Aí o homem da cidade dizia à esposa de Ubaoner: “Há um pavilhão no jardim, pois bem, vamos lá passar um momento feliz.”
Então a mulher de Ubaoner disse ao servidor encarregado do jardim: “Faz preparar o pavilhão que está no jardim”.
Em seguida ele e ela passaram o dia a beber. Quando escureceu o homem da cidade desceu para o lago, a fim de ali se purificar enquanto a serva procurou o encarregado do jardim e contou-lhe o que sua ama tinha feito.

Logo que nasceu o dia seguinte, a primeira coisa que o encarregado do jardim fez foi procurar o seu senhor Ubaoner e contar-lhe tudo o que ouvira da serva. Então Ubaoner ordenou ao encarregado do jardim que fosse buscar a sua caixa mágica. Era uma caixa maravilhosamente elaborada, feita de ébano com decorações de ouro. Depois Ubaoner tirou dela uma espécie de cera e fez um modelo de crocodilo com sete côvados de comprimento. Recitou então encantamentos mágicos sobre modelo de crocodilo e disse-lhe: “Quando alguém chegar para se banhar no meu lago, apodera-te dele.”
Depois de ter dito a sua fórmula, Ubaoner entregou o crocodilo ao encarregado do jardim e disse-lhe: “Espera o momento em que o tal homem entrar no meu lago para tomar banho, segundo o seu costume diário: lança então este crocodilo na água na direção dele.”
O encarregado do jardim retirou-se, levando com ele o crocodilo de cera. Pouco depois, a mulher de Ubaoner disse ao encarregado do jardim: “Faz preparar o pavilhão que está no meio do jardim, porque eu quero passar lá um momento.”

09 agosto 2020

O conto de Sinuhe

A história de Sinuhe se passa durante o reinado do faraó Sesóstris I (1971 a 1926 a.C.)

Conhecida como As Aventuras de Sinuhe, seu autor é desconhecido, mas ela é muito bem escrita e gozava de grande popularidade em seu tempo, tanto que era considerada um clássico nas escolas egípcias e, em função disso, foi copiada pelos alunos inúmeras vezes, sendo que várias dessas cópias chegaram até os nossos dias. Acima um exemplo: um trecho da narrativa gravada em pedra. É algo como se o Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, pudesse ser lido em cópias escolares no ano 5900 da nossa era.
Em mais de 300 linhas é feita a narrativa da vida de um personagem fictício e nela encontramos intriga, aventura, lealdade e redenção. O herói parece ter sido um próspero administrador do harém do faraó Amenemhet I (1991 a 1962 a.C.), cujo reinado testemunhou a expansão da esfera egípcia de influência no Sinai e na área da Síria-Palestina e introduziu um tempo de grandes atividades construtivas e de renascimento literário e artístico. Segundo os estudiosos, os detalhes inseridos na narrativa estão notavelmente próximos da realidade e são histórica e arqueológicamente corretos. A acurácia também se estende aos costumes sociais dos diferentes povos com os quais Sinuhe entrou em contato. Convém esclarecer que não foi o conto egípcio que inspirou o escritor finlandês Mika Waltari ao escrever seu romance O Egípcio, no qual o herói também se chama Sinuhe. A personagem de Waltari é um médico que vive no tempo do faraó Akhenaton (c. 1353 a 1335 a.C.).

A história é escrita na primeira pessoa, ou seja, o próprio Sinuhe narra suas aventuras. Ele conta que Sesóstris I, filho mais velho do então faraó Amenenhet I, estava retornando de uma expedição punitiva contra os líbios quando mensageiros, vindos do palácio, vieram lhe informar que seu pai havia sido assassinado. O fato ocorreu "no ano XXX, terceiro mês da estação da inundação, dia 7", data que os egiptólogos determinaram com precisão como sendo 15 de fevereiro de 1962 a.C. O príncipe retorna imediatamente para a capital. Outros mensageiros, pertencentes ao grupo dos assassinos, também chegam para dar a notícia a um meio-irmão de Sesóstris, em cujo benefício se cometera o crime. Por acaso e escondido, Sinuhe os ouviu e relata em sua história:

01 agosto 2020

A protegida de Maria

Na orla de uma extensa floresta morava um lenhador e sua esposa. Eles tinham apenas uma filha, que era uma menina de três anos. Mas eles eram tão pobres que não tinham mais o pão de cada dia e já não sabiam o que haveriam de dar-lhe para comer. Certa manhã o lenhador foi com grande preocupação até a floresta para cuidar de seu trabalho e, quando estava cortando lenha, lá apareceu de repente uma mulher alta e bela que trazia na cabeça uma coroa de estrelas cintilantes e lhe disse “Sou a Virgem Maria, mãe do Menino Jesus, e tu és pobre e necessitado: traga-me tua filha, vou levá-la comigo, ser sua mãe e cuidar dela.”
 O lenhador obedeceu, foi buscar a filha e entregou-a à Virgem

Maria, que a levou consigo para o Céu. Lá a menina passava muito bem, comia pão doce e bebia leite açucarado, e seus vestidos eram de ouro, e os anjinhos brincavam com ela. Quando completou quatorze anos, a Virgem Maria a chamou e disse

25 julho 2020

Solte-se daquilo que não vale a pena



Por Paulo Fernandes

Solte, não cometa a falha de segurar aquilo que Deus já tirou. O que fere tem que sair para dar lugar ao Amor que irá curar. 
Shakespeare disse uma vez: lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente. Possa ser, também, que o presente, visto pelo cenário do coração, seja o passado, se as mudanças vieram apenas nas estações e não nas decisões. Do mesmo modo, nenhum recomeço serve, se você o recebe com a mesma mentalidade. "O Senhor Deus me disse: — Desça até a casa onde fazem potes de barro, e lá eu lhe darei a minha mensagem. 

18 julho 2020

Alma de Dragão


por Leandro Radrak

Muito bem, minha senhora. Sou praticamente um bardo na arte de declamar contos. Deixe-me lhe contar minha história. Ao menos a parte dela que me trouxe aqui. Serei sincero, pois não subestimarei sua astúcia. Quem é subestimaria um deus, não é mesmo? Ouça com atenção, por favor. Depois, deixarei em suas mãos o meu destino.

11 julho 2020

O sonho do Mago


Boa tarde/noite meus amigus, como passaram a semana? Por aqui foi tudo bem! 
Como comentei que gostaria alguns contos salvos há muito tempo, hoje vou postar este sobre "O sonho do Mago".
Espero que gostem e deixem seus feedbacks. Ótima leitura e vamos lá!



 Por Douglas Cavalcante

Em toda a galaxia existem planetas e constelações conhecidas e desconhecidas. Por mais que achamos que existam ou não seres que vivam conosco em nosso sistema solar ou próximo temos a nítida impressão de que não estamos a sós. O que nos faz pensar é bem mais do que a imaginação ou ciência, mas sim a profunda e verdadeira intuição que muitos chamam de sexto sentido. Dentro de cada um de nós exitem mais do que podemos imaginar: um Alien, uma alma. somente a mente ... Não sabemos. Mas ha algo dentro de nos, chamarei de centelha.

07 fevereiro 2015

Cores do meu mundo

Deitado neste limiar, tão próximo do nada e distante de tudo
Com a consciência clara, nada a que me segurar
Os dados são jogados e observo as cores do meu mundo

A cada nascer do sol e cada noite
Silencio um grito precioso
Silencio o choro contido e pinto o mundo de cinza
Acho que perdi o jogo hoje...
E a cada pulso do meu coração
Uma parte da alegoria da vida tenta me encontrar nas cores que escondi

E no silêncio, eu jogo os dados novamente
Será que devo ficar?
Será um jogo que não consigo ganhar?...
Minha existência sopra sem fim
Sem cores para rir
Sem sorrisos para colorir

E as cores que escolhi desenharam uma vida
Um anjo me observando da porta, um demônio gritando às minhas costas
Enquanto termino a tela da minha alma

E talvez tudo termina aqui
E eu sei que tudo segue logo ali
E não sei o que colori
E não sei minha cor ao me despir

E os dados são jogados novamente
Não há luz e não há sombra, não há dia e não há noite
Apenas as sombras de um sonho que vivi
O cinza se desfaz em preto e branco e meu mundo sorri.

E então jogo os dados em silêncio...


Há momentos em que perdemos o rumo, não sabemos quais "cores" usamos para colorir o nosso mundo e no fim nos questionamos se valeu a pena as decisões que tomamos, nos questionamos no que nos tornamos. O arrependimento pode ser seu maior carrasco ou sua maior motivação para parar ou seguir em frente, e neste último caso, ele se torna uma lição. E vocês, quais as cores que têm usado para colorir seu mundo?

Abraço e até a próxima!!



19 novembro 2014

A Hora Marcada

Por Fernando Américo

Nossa primeira contribuição externa! Foi do meu padrinho…mas tudo bem.

Espero que seja um incentivo aos demais leitores do blog.

Um Abraço.



Nova York, 04/04/04.

O relógio digital marcava 4 horas e 2 minutos da madrugada. Sofia apertava o xale contra os ombros, espantando o frio do início de primavera em Nova York, enquanto esperava passar mais um minuto do relógio. Seus ossos doíam; era a artrite que piorava ao menor sinal de frio. Mas ela não se importava; perto do que ela já tinha passado há 60 anos atrás, a dor da artrite podia ser considerada um prazer. Era só se lembrar do frio do porão da fábrica de picles, na Kalverstraat Street, em Amsterdã. Do frio e do cheiro acre dos picles estragados que escondiam a ela e a sua família…

Como um passe de mágica, a dor da artrite ficou mais suportável. Lágrimas vieram aos seus olhos ao se lembrar do irmão Samuel, um pequeno gênio da matemática, sempre obcecado pelo número 4… Na época, ele era o irmão mais velho. Sofia esperava reencontrá-lo agora, mas não sabia se seu plano daria certo. Durante anos ela tinha estudado as capicuas – uma confluência de horas, minutos, segundos, dia, mês e ano, que configuravam uma data perfeita, um palíndromo do tempo, formando um numeral que poderia ser lido de trás para frente, e de frente para trás. Algo como as 11 horas, 11 minutos e 11 segundos do dia 11 de Novembro (11) do ano 1111. Samuel era fascinado com estas datas perfeitas, e acreditava que, se alguém se preparasse muito, poderia aproveitar o exato momento de uma capicua para viajar no tempo e no espaço. Em sua infância, Sofia não acreditava muito nisso; observava com desprezo Samuel fazendo seus cálculos, planejando o que fazer no momento exato da primeira capicua que iriam viver, no dia 04 de Abril de 1944. Naquela época, mal podiam imaginar onde estariam nesta data…

Amsterdam, 04/04/44

O ponteiro maior se aproximava do quarto indicador do relógio de pulso. Em breve seriam 4 horas e 4 minutos. Samuel Davidovitz havia esperado por este momento por quatro longos anos; desde que a Alemanha invadira a Holanda, desde que ele tinha tido que se esconder com o pai e as duas irmãs no porão fétido da loja de picles. Há quatro anos eles não podiam sair, se alimentavam apenas do que era jogado na ante-sala do porão – os picles mais azedos, ou estragados, aqueles que não serviam para comer. A mãe de Samuel já tinha morrido há muito tempo; tinham-na enterrado num dos cantos do porão, sem poder dar a ela um enterro legítimo. Samuel ainda estremecia quando se lembrava que havia passado por sua cabeça a possibilidade de eles usarem o corpo da mãe como alimento; foi a única vez que seu pai quebrou a lei do silêncio absoluto que tinha imposto à família, dando um tapa na cara de seu primogênito, e xingando-o dos piores nomes possíveis (sendo shmuck o mais simpático deles). Samuel foi obrigado a ouvir que não fazia nada, a não ser pensar naquelas ilusões numéricas de datas perfeitas; o pai não falava alto – os judeus europeus tinham se acostumado há muito tempo a só falar por sussurros – mas mesmo assim, um dos socos que deu no filho o levou ao chão, fazendo com que um dos vidros de compotas caísse da prateleira e se espatifasse no chão. Um soldado nazista, que tinha vindo à loja comprar conservas para sua namorada, ouviu o barulho e veio inspecionar o porão; Samuel, seu pai e as irmãs se esconderam debaixo de caixotes fedorentos de lixo.

Depois que o soldado nazista tinha se convencido que no porão só havia lixo e que o barulho que ouvira devia ser algum rato (na verdade, o soldado tinha ficado com nojo de sujar suas botas brilhantes no chão coalhado de picles velhos e fedorentos) o dono da loja de picles desceu ao porão para falar com a família. Gritou e esbravejou, dizendo que estava correndo um imenso risco ao esconder a família no porão; ameaçou jogar a família na rua, se fizessem mais barulho. Só aceitara escondê-los ali por dinheiro; para isso, recebera todas as economias que o pai de Samuel tinha guardado durante vinte anos para pegar um navio para a América. Era muito arriscado, e o pai de Samuel sabia o quanto era importante que eles ficassem calados, sem que ninguém soubesse que estavam ali. Algumas vezes, eles ouviam o rádio no andar de cima, e nas poucas vezes em que o dono da loja de picles deixava de ouvir as rádios de propaganda nazista para sintonizar a BBC, o pai conseguiu entender que os Aliados estavam a caminho. Era a sua última esperança. As meninas, Sara e Sofia, não conseguiam mais chorar. Sofia não falava havia quatro anos e quatro meses; a última palavra que tinha dito era “medo” ao ouvir o passo forte e ritmado das botas dos soldados nazistas lá fora, na rua. Sara às vezes a colocava no colo e lhe contava histórias, bem baixinho. Era a sua maneira de também ter esperança, dando à irmã um fiapo de ficção a que se agarrar, em meio a toda a miséria em que se encontravam. Samuel também tinha esperança; mas toda ela estava depositada na capicua, no momento exato da confluência de vários números 4, quando ele e a família poderiam escapar, viajando pelo tempo até um lugar menos impiedoso, uma época menos miserável, onde poderiam andar na rua sem ter que ostentar uma estrela de David azul no braço. Onde não teriam que aturar as cusparadas de outros enquanto andavam pela rua; onde teriam pão e mel em abundância, onde iriam para a escola, onde não seriam discriminados apenas por não comerem carne de porco e por não se ajoelharem diante de uma estátua de um homem pregado numa cruz.

Agora Samuel esperava o momento exato. Olhava para a parede, e mentalizava a sua saída daquele inferno. Os tijolos começaram a adquirir uma cor translúcida, até sumirem. Uma névoa ocupou o lugar onde os tijolos estavam. O pai de Samuel se aproximou por trás dele, finalmente acreditando na quimera do filho. Do outro lado, começaram a ver uma sala, com móveis requintados, e uma cadeira de balanço onde se sentava uma pessoa; a neblina foi se desfazendo, e perceberam que na cadeira se sentava uma velhinha, com os olhos fixos neles. Samuel ria, com lágrimas nos olhos, enxergando no rosto do pai o arrependimento por não ter acreditado no filho. Sara e Sofia estavam boquiabertas, sem acreditar no que viam. Sofia olhou nos olhos da velha do outro lado da parede; algo naqueles olhos a fizeram estremecer; sentiu um medo, um frio em todo o seu ser, e quando a velha se levantou e caminhou para o porão, Sofia não suportou mais: por mais que ela sentisse que não devia, que aquilo era contra tudo o que tinham feito até então, a menina abriu a boca e pela primeira vez em quatro anos e quatro meses, soltou um som, gritando com toda a força de seus pulmões.

Lá fora, soldados nazistas ouviram o barulho, e sem ouvir as desculpas esfarrapadas do dono da loja de picles, entraram no porão atirando. Samuel foi o primeiro a ser atingido, tentando proteger o pai; Sara caiu por cima de Sofia, que por instinto, ficou calada por baixo do corpo da irmã. Os soldados depois a encontraram, e levaram-na para Auschwitz, de onde só sairia ao final da guerra, para se casar no outro lado do Atlântico, em Nova York.

Nova York, 04/04/04.

O relógio digital marcava 4 horas e 3 minutos da madrugada. Sofia apertava o xale contra os ombros, indo para frente e para trás na cadeira de balanço. Durante anos, tinha se preparado para aquele momento. Fora por sua culpa que Samuel não tinha conseguido escapar. Se ela pudesse pelo menos ajudá-lo por um só instante…

Concentrou-se no que tinha que fazer. Abriu os vidros de picles que tinha comprado há algumas semanas. O cheiro invadiu a sala, e ela se sentiu de novo no porão da Kalverstraat Street. A parede de sua cobertura começou a se esfumaçar, como a parede do porão de 60 anos atrás. Do outro lado, através da névoa, ela podia divisar Samuel, o pai, e as duas meninas ao fundo. Sem pensar duas vezes, sentindo a dor da artrite como agulhas entrando por todo o seu corpo, ela se levantou e correu, o mais rápido que pôde. Samuel, ainda rindo, foi puxado por ela para dentro da sala. A velha tentou empurrar também o pai, mas ela não tinha tanta força; abobado com a situação, o pai olhava para o rosto de Sofia, reconhecendo-a de algum lugar… A pequena menina no colo de Sara começou a gritar, e a velha a tomou dos braços da irmã, dizendo:

- Corra para lá dentro!

Foi tarde demais. Os soldados entraram atirando de novo, desta vez matando a todos que estavam do lado de cá do porão. Do outro lado da parede, que se fechava, no quadragésimo quarto andar de um edifício de luxo em Nova York, Samuel chorava, sem saber onde estava, sujando o imaculado tapete felpudo e branco com seus pés imundos, ainda sentindo o cheiro dos vidros de compotas de picles em cima da mesa ao lado da cadeira de balanço. Do outro lado, no porão da Kalverstraat, jaziam quatro cadáveres: o corpo do pai, de Sara, e de uma velha abraçada a uma garota, ambas com cordões de ouro ao pescoço indicando o mesmo nome: Sofia Davidovitz. Foram enterrados em uma só cova, quatro corpos abraçados e nus, enquanto um grito pavoroso inundava o 44º andar de um edifício em Nova York, sessenta anos depois.

14 novembro 2014

Contos Zumbi - A guerra pela sobrevivência da raça humana [Parte Final]

Revelações


O dia já estava amanhecendo, alguns raios de sol tocavam o rosto do velho,a gora todo ensanguentado. Aos poucos ele abriu os olhos e se lembrou do que aconteceu nas últimas horas. Ele estava fraco, não entendia como ainda não havia morrido ou se transformado numa daquelas coisas: “acho que alguém lá em cima gosta de mim” – pensou. Com as poucas forças que lhe restaram, se arrastou até a porta, conseguiu destrancá-la e foi até uma árvore, queria morrer com dignidade. Lá se encostou e ficou apreciando durante alguns minutos o nascer do sol enquanto cantava uma canção.

- LENNY....LENNY MEU AMOR!

Os gritos de uma mulher, que mesclava desespero e tristeza, vinham de onde Tom havia deixado os corpos perto da casa na noite anterior. O barulho chamou sua atenção. Ele olhou lentamente para o local.

- NÃO, NÃO, MINHA FILHA NÃO! SOFIA, FALE COM A MAMÃE, SOFIA, SOFIA. NÃO...POR QUÊ! – Desta vez os gritos vieram de dentro da casa.

- Aqui fora. Aqui.....fora. Por favor....aqui na......árvore. Socorro! – Tom, que agora expelia sangue pela boca enquanto tossia, tentou atrair a atenção da pessoa para ele. Suas esperanças de ser ouvido eram mínimas, porém ele conseguiu.
Correndo ainda em frenesi, a moça foi até a arvore e achou o velho moribundo. Com lágrimas no rosto e com um olhar congelante ela perguntou:

13 novembro 2014

Contos Zumbi - A guerra pela sobrevivência da raça humana [parte 03]

Momentos antes



Há dois quilômetros do riacho, onde se encontrava Tom naquele momento, Maria e Lenny, que carregava Sofia no colo, corriam como loucos em busca de um abrigo para cuidar de sua filha. Um errante conseguiu morder o ombro da garota. O pai da pequena já tinha ciência do que acontecia com quem era infectado, mas nem ele nem a mãe da garota queriam dar o braço a torcer. Os sintomas apresentados apontavam que o tempo da garotinha era pouco. A preocupação de Lenny era tamanha que ele não notara a distância que já tinham percorrido desde que começaram a fugir do grupo de errantes que os atacou horas antes.

- Ei, Maria, veja, uma casa, vamos, quem sabe alguém pode nos ajudar?

Não demorou para o tom de esperança da voz do rapaz virar desespero:

- MARIA! MARIA! ONDE VOCÊ ESTÁ? – Começou a gritou ao perceber que sua parceira já não estava mais ali.
Lenny não tinha notado, mas em alguma parte do trajeto Maria havia ficado para trás. Tentando conter as lágrimas, ele olhou para a filha e tentou focar seus esforços na criança. 

- ALGUÉM EM CASA? POR FAVOR, PRECISAMOS DE AJUDA! ALGUÉM, POR FAVOR! – tentou argumentar inutilmente enquanto batia na porta.
Sem saber o que fazer só pensou em uma coisa, arrombar a porta e buscar remédios para Sofia. Não precisou dar três soladas naquele pedaço de madeira para que ela viesse abaixo. Pronto, eles conseguiram entraram, agora era só fazer uma rápida varredura e começar os cuidados com a criança.

12 novembro 2014

Contos Zumbi - A guerra pela sobrevivência da raça humana [Parte 02]

Desta água não beberei



Quinze minutos de caminhada entre as matas e um quilometro e meio depois de sua partida, Tom se deparou com aquilo que um dia foi um riacho. Havia vários corpos humanos dentro do riacho. Alguns destes ainda nem estavam em estado de decomposição, já outros. Uma pedra estava fazendo com que os corpos que ali batessem não ultrapassassem a área, o que resultou num cemitério aquático.
A pedra sempre esteve ali, já os corpos não.

- Acho que teremos que mudar o nome deste lugar de Pedacinho do Vida para Pedacinhos da Morte - brincou.

Foi então que percebeu que se encontrava em sérios problemas, isso porque toda a água que ele tinha acesso vinha deste local, e uma vez que ela estivesse infectada, ela estaria imprópria para consumo. Aquele riacho era o único lugar da região onde ele poderia se abastecer.
Sabia o que tinha que fazer, remover os corpos da pedra a fim de que a água pudesse fluir novamente e assim seu poço também poder receber água limpa. Não gostava da idéia de ter que mexer nos corpos, afinal algum deles ainda poderia estar “vivo”. O serviço sujo tinha que ser feito, quer ele quisesse, quer não.
Apesar de seus 50 anos, Tom não aparentava a idade, isso porque sempre teve uma vida ativa no campo, uma alimentação exemplar, hábitos que o tornou um dos poucos sobreviventes, se não o único, da região. Ele lembrava muito o marinheiro Popeye, não era provido de altura, em compensação tinha músculos de sobra de dar inveja a qualquer jovem freqüentador de academia. Há alguns anos vinha raspando a cabeça, eliminando assim seus últimos fios grisalhos. Tomou esta decisão após um errante ter consigo puxá-lo pelo cabelo. 

Pegou sua faca e cortou um galho grosso de uma árvore próxima. De um lado poderia ser usado como uma alavanca, de outro como uma lança improvisada. Com suas mãos calejadas ele tomou a ferramenta e cutucou cada corpo para ver se alguém esboçava alguma reação. Ele poderia ter usado a lança direto na cabeça dos errantes e acabar com esta dúvida, porém ele preferia evitar tal atitude, nunca gostou de ferir ninguém, nem mesmo depois de morto.

11 novembro 2014

Contos Zumbi - A guerra pela sobrevivência da raça humana [Parte 01]

Lá vem o Sol

Estados Unidos - Texas

Lá estava ele sentado no pé de uma árvore, agonizando, sofrendo, olhando para o horizonte o que seria seu último nascer do sol, apenas esperando a morte chegar. Abaixando a cabeça, ele levou até seu ferimento uma das mãos e o pressionou. Ao voltar a palma para seus olhos pode ver o sangue que pingava pelos dedos. Era o sangue de uma mordida, uma profunda mordida de uma “criança”, mordida esta que faria com que Tom Parson, um homem de meio século de história, perdesse sua vida. Sua mente girava como um pião. No fundo sabia que não teria muito tempo de vida, sabia também que não havia condições de buscar qualquer tipo de ajuda.

- A quem eu estou enganando? Quem poderia me ajudar – hummm – numa hora destas? Não há nada que possa ser feito. Só espero – hummmmmmm – DROGA, QUE DOR – que me matem antes de que eu possa matar alguém.

Agora só lhe restava se lembrar dos bons momentos do qual a vida lhe presenteara. Com dificuldades, em meio aos fragmentos de imagens em sua cabeça, se lembrou de como era sua vida antes dos errantes. Lembrou do nascimento de cada um de seus três filhos, de seus netos e de quando se casou com Catarina, seu grande amor. Esforçou-se ao máximo para se manter lúcido. Antes que seus olhos se fechassem por completo ele ainda conseguiu ver o sol alaranjado completamente, então em meio aos gemidos começou a cantarolar uma velha canção:

10 novembro 2014

Contos Zumbi - A guerra pela sobrevivência da raça humana

Contos do Apocalipse Zumbi relata pequenas histórias da humanidade em busca da sobrevivência em meio ao caos que o mundo se transformou depois de uma pandemia global. Nossa primeira história conta como o velho Tom Parson, um senhor de 50 anos, lutou até o último momento tentando proteger sua propriedade dos zumbis. Você também conhecerá Lenny, um pai de família que busca incansavelmente uma possível cura para sua filha, Sofia, que foi mordida por um errante, e tudo enquanto tenta localizar sua esposa que está desaparecida. 

Prologo

A única certeza que temos na vida é que a visita da morte é inevitável, mais cedo ou mais tarde ela nos procurará, sempre. Pode ser através de uma doença, de um acidente, através da violência ou outras incontáveis formas. Que a morte um dia vem não há dúvidas, porém nunca poderíamos esperar, literalmente falando, que ela pudesse de fato bater à nossa porta. Atualmente não há registros de quantos são os sobreviventes, no entanto, acreditasse que menos de 25% da humanidade ainda esteja viva.
Os principais fatores para que estejamos quase extintos é a falta de água pura, a escassez de alimentos comestíveis, medicamentos, e claro, os errantes, humanos que se tornaram uma espécie de canibais, popularmente conhecidos como zumbis. Ninguém sabe ao certo sua origem, porém é de senso comum que esta praga precisa ser extinta o mais depressa possível, isso se não quisermos ser nós os extintos.
Com a falta de pessoas, não demorou muito para que os combustíveis e a energia elétrica acabassem, isso porque não havia mais ninguém nas usinas de força para operá-las e alimentá-las. Aqueles que não foram mortos agora buscavam abrigos em lugares isolados longe de toda esta desordem. As usinas nucleares, apesar de possuírem reatores capazes de abastecer energia por aproximadamente dois anos sem correrem o risco de derretimento em seus núcleos, entraram em modo de segurança em apenas três meses e se desligaram automaticamente, e tudo devido ao acúmulo de energia por falta de consumo. Nem mesmo os geradores eólicos escaparam, pois sem lubrificação e manutenção adequada logo eles também pararam. Como conseqüência não só a internet, como os telefones e tudo o que era controlado por computadores agora estão offline.
As estradas estão intransitáveis após a população tentar utilizá-las como rota de fuga em frustradas tentativas. Todos os grandes centros urbanos estão desertos, agora são como grandes armadilhas. Comunidades menores criaram barreiras para que nada chegue até elas, partem do principio “construir abismos ao invés de pontes”, já outras formaram gangues e milícias, e buscam todos os tipos de suprimentos, todos mesmo.
Milhares de errantes estão espalhados pelas cidades. Vivemos num mundo sem leis, a sociedade como conhecíamos se desintegrou. Uma nova Era começou, a Era da Sobrevivência. Nada poderia nos preparar para o que aconteceu, nem mesmo nossos lideres poderiam prever tal catástrofe.



Fonte: http://mortosfamintosorigem.blogspot.com.br/2012/12/contos-do-apocalipse-zumbi-guerra-pela.html

07 novembro 2014

Conselho de Jobs.

Em 12 de junho de 2005, Steve Jobs, então presidente-executivo da Apple Computer e da Pixar Animation Studios, fez um discurso aos formandos da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. O texto em que Jobs fala de sua vida, de sua opção por não cursar uma faculdade e no qual dá alguns conselhos aos estudantes, ficou famoso e repercute até hoje, sendo volta e meia republicado e lembrado. Confira a íntegra do discurso.




"Estou honrado por estar aqui com vocês em sua formatura por uma das melhores universidades do mundo. Eu mesmo não concluí a faculdade. Para ser franco, jamais havia estado tão perto de uma formatura, até hoje. Pretendo lhes contar três histórias sobre a minha vida, agora. Só isso. Nada demais. Apenas três histórias: 

A primeira é sobre ligar os pontos.

Eu larguei o Reed College depois de um semestre, mas continuei assistindo a algumas aulas por mais 18 meses, antes de desistir de vez. Por que eu desisti?
Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era jovem e não era casada; estava fazendo o doutorado, e decidiu que me ofereceria para adoção. Ela estava determinada a encontrar pais adotivos que tivessem educação superior, e por isso, quando nasci, as coisas estavam armadas de forma a que eu fosse adotado por um advogado e sua mulher. Mas eles terminaram por decidir que preferiam uma menina. Assim, meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam um telefonema em plena madrugada "temos um menino inesperado aqui; vocês o querem?" Os dois responderam "claro que sim". Minha mãe biológica descobriu mais tarde que minha mãe adotiva não tinha diploma universitário e que meu pai nem mesmo tinha diploma de segundo grau. Por isso, se recusou a assinar o documento final de adoção durante alguns meses, e só mudou de idéia quando eles prometeram que eu faria um curso superior.

05 novembro 2014

A última carta de um Kamikaze

Muitas vezes você olhou e sorriu para o meu rosto. Você também dormiu em meus braços, e tomamos banho juntos. Quando você crescer e quiser saber sobre mim, pergunte a sua mãe e tia Kayo. Meu álbum de fotos foi deixado para você em casa. Dei-lhe o nome de Motoko, esperando que você fosse uma pessoa gentil, bondosa e carinhosa.

04 novembro 2014

A espada de São Martinho

São Martinho de Tours. Museu de Cluny, Paris.O Conde de Besalu era um valente que derrotou os mouros em muitas batalhas. Onde havia perigo, lá estava ele com seu exército, e não tardava em dar boa conta das turbas infiéis.


Um dia, estando em seu castelo, veio um de seus guardas dizer-lhe que sabia de boa fonte que os mouros subiam de Bañolas em direção a Santa Pau. Imediatamente o Conde reuniu os seus leais, e saiu para enfrentar os mouros e impedir-lhes o avanço.


Quando os encontrou, no mesmo instante arremeteu contra eles com o ímpeto que lhe era peculiar. Mas em pleno combate sua espada se quebrou. Não era o Conde homem que se conformasse vendo pelejar seus soldados, mas não lhe era possível seguir lutando desarmado.

31 outubro 2014

Os ruídos da morte

Extraído do Livro chamado: "O Livro dos Fenômenos Estranhos" de Charles Berlitz


Os habitantes das ilhas Samoa acreditam que, quando a morte se aproxima, pancadas secas paranormais são ouvidas na casa da vítima.

Esse estranho fenômeno já foi chamado de ruídos da morte, e sua existência representa mais do que mero folclore.

Genevieve B. Miller, por exemplo, sempre ouviu esses estranhos ruídos, principalmente na infância. As pancadas ocorreram durante o verão de 1924 em Woronoco, Massachusetts, quando sua irmã, Stephanie, ficou acamada com uma doença misteriosa.

O Baile

Era um sábado à noite... O baile iria começar às 23:00 hs. Todos chiques, bem arrumados, vestidos para uma noite de gala. Mulheres lindas, homens charmosos.
Richard tinha ido ao baile sozinho. Não tinha namorada, apesar de ser muito bonito. No baile conheceu uma moça muito bonita que estava sozinha e procurava alguém com quem dançar.

Richard dançou com ela a noite toda, e conversaram por muito tempo. Acabaram se apaixonando naquela noite, mas tudo só ficou na conversa e no romantismo. No final do baile, Richard prometeu que levaria a moça embora, mas de repente ela sumiu. Ele procurou-a por todo o salão por muito tempo. Como não encontrou, desistiu e foi embora.
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