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13 novembro 2014

Contos Zumbi - A guerra pela sobrevivência da raça humana [parte 03]

Momentos antes



Há dois quilômetros do riacho, onde se encontrava Tom naquele momento, Maria e Lenny, que carregava Sofia no colo, corriam como loucos em busca de um abrigo para cuidar de sua filha. Um errante conseguiu morder o ombro da garota. O pai da pequena já tinha ciência do que acontecia com quem era infectado, mas nem ele nem a mãe da garota queriam dar o braço a torcer. Os sintomas apresentados apontavam que o tempo da garotinha era pouco. A preocupação de Lenny era tamanha que ele não notara a distância que já tinham percorrido desde que começaram a fugir do grupo de errantes que os atacou horas antes.

- Ei, Maria, veja, uma casa, vamos, quem sabe alguém pode nos ajudar?

Não demorou para o tom de esperança da voz do rapaz virar desespero:

- MARIA! MARIA! ONDE VOCÊ ESTÁ? – Começou a gritou ao perceber que sua parceira já não estava mais ali.
Lenny não tinha notado, mas em alguma parte do trajeto Maria havia ficado para trás. Tentando conter as lágrimas, ele olhou para a filha e tentou focar seus esforços na criança. 

- ALGUÉM EM CASA? POR FAVOR, PRECISAMOS DE AJUDA! ALGUÉM, POR FAVOR! – tentou argumentar inutilmente enquanto batia na porta.
Sem saber o que fazer só pensou em uma coisa, arrombar a porta e buscar remédios para Sofia. Não precisou dar três soladas naquele pedaço de madeira para que ela viesse abaixo. Pronto, eles conseguiram entraram, agora era só fazer uma rápida varredura e começar os cuidados com a criança.

12 novembro 2014

Contos Zumbi - A guerra pela sobrevivência da raça humana [Parte 02]

Desta água não beberei



Quinze minutos de caminhada entre as matas e um quilometro e meio depois de sua partida, Tom se deparou com aquilo que um dia foi um riacho. Havia vários corpos humanos dentro do riacho. Alguns destes ainda nem estavam em estado de decomposição, já outros. Uma pedra estava fazendo com que os corpos que ali batessem não ultrapassassem a área, o que resultou num cemitério aquático.
A pedra sempre esteve ali, já os corpos não.

- Acho que teremos que mudar o nome deste lugar de Pedacinho do Vida para Pedacinhos da Morte - brincou.

Foi então que percebeu que se encontrava em sérios problemas, isso porque toda a água que ele tinha acesso vinha deste local, e uma vez que ela estivesse infectada, ela estaria imprópria para consumo. Aquele riacho era o único lugar da região onde ele poderia se abastecer.
Sabia o que tinha que fazer, remover os corpos da pedra a fim de que a água pudesse fluir novamente e assim seu poço também poder receber água limpa. Não gostava da idéia de ter que mexer nos corpos, afinal algum deles ainda poderia estar “vivo”. O serviço sujo tinha que ser feito, quer ele quisesse, quer não.
Apesar de seus 50 anos, Tom não aparentava a idade, isso porque sempre teve uma vida ativa no campo, uma alimentação exemplar, hábitos que o tornou um dos poucos sobreviventes, se não o único, da região. Ele lembrava muito o marinheiro Popeye, não era provido de altura, em compensação tinha músculos de sobra de dar inveja a qualquer jovem freqüentador de academia. Há alguns anos vinha raspando a cabeça, eliminando assim seus últimos fios grisalhos. Tomou esta decisão após um errante ter consigo puxá-lo pelo cabelo. 

Pegou sua faca e cortou um galho grosso de uma árvore próxima. De um lado poderia ser usado como uma alavanca, de outro como uma lança improvisada. Com suas mãos calejadas ele tomou a ferramenta e cutucou cada corpo para ver se alguém esboçava alguma reação. Ele poderia ter usado a lança direto na cabeça dos errantes e acabar com esta dúvida, porém ele preferia evitar tal atitude, nunca gostou de ferir ninguém, nem mesmo depois de morto.

11 novembro 2014

Contos Zumbi - A guerra pela sobrevivência da raça humana [Parte 01]

Lá vem o Sol

Estados Unidos - Texas

Lá estava ele sentado no pé de uma árvore, agonizando, sofrendo, olhando para o horizonte o que seria seu último nascer do sol, apenas esperando a morte chegar. Abaixando a cabeça, ele levou até seu ferimento uma das mãos e o pressionou. Ao voltar a palma para seus olhos pode ver o sangue que pingava pelos dedos. Era o sangue de uma mordida, uma profunda mordida de uma “criança”, mordida esta que faria com que Tom Parson, um homem de meio século de história, perdesse sua vida. Sua mente girava como um pião. No fundo sabia que não teria muito tempo de vida, sabia também que não havia condições de buscar qualquer tipo de ajuda.

- A quem eu estou enganando? Quem poderia me ajudar – hummm – numa hora destas? Não há nada que possa ser feito. Só espero – hummmmmmm – DROGA, QUE DOR – que me matem antes de que eu possa matar alguém.

Agora só lhe restava se lembrar dos bons momentos do qual a vida lhe presenteara. Com dificuldades, em meio aos fragmentos de imagens em sua cabeça, se lembrou de como era sua vida antes dos errantes. Lembrou do nascimento de cada um de seus três filhos, de seus netos e de quando se casou com Catarina, seu grande amor. Esforçou-se ao máximo para se manter lúcido. Antes que seus olhos se fechassem por completo ele ainda conseguiu ver o sol alaranjado completamente, então em meio aos gemidos começou a cantarolar uma velha canção:

10 novembro 2014

Contos Zumbi - A guerra pela sobrevivência da raça humana

Contos do Apocalipse Zumbi relata pequenas histórias da humanidade em busca da sobrevivência em meio ao caos que o mundo se transformou depois de uma pandemia global. Nossa primeira história conta como o velho Tom Parson, um senhor de 50 anos, lutou até o último momento tentando proteger sua propriedade dos zumbis. Você também conhecerá Lenny, um pai de família que busca incansavelmente uma possível cura para sua filha, Sofia, que foi mordida por um errante, e tudo enquanto tenta localizar sua esposa que está desaparecida. 

Prologo

A única certeza que temos na vida é que a visita da morte é inevitável, mais cedo ou mais tarde ela nos procurará, sempre. Pode ser através de uma doença, de um acidente, através da violência ou outras incontáveis formas. Que a morte um dia vem não há dúvidas, porém nunca poderíamos esperar, literalmente falando, que ela pudesse de fato bater à nossa porta. Atualmente não há registros de quantos são os sobreviventes, no entanto, acreditasse que menos de 25% da humanidade ainda esteja viva.
Os principais fatores para que estejamos quase extintos é a falta de água pura, a escassez de alimentos comestíveis, medicamentos, e claro, os errantes, humanos que se tornaram uma espécie de canibais, popularmente conhecidos como zumbis. Ninguém sabe ao certo sua origem, porém é de senso comum que esta praga precisa ser extinta o mais depressa possível, isso se não quisermos ser nós os extintos.
Com a falta de pessoas, não demorou muito para que os combustíveis e a energia elétrica acabassem, isso porque não havia mais ninguém nas usinas de força para operá-las e alimentá-las. Aqueles que não foram mortos agora buscavam abrigos em lugares isolados longe de toda esta desordem. As usinas nucleares, apesar de possuírem reatores capazes de abastecer energia por aproximadamente dois anos sem correrem o risco de derretimento em seus núcleos, entraram em modo de segurança em apenas três meses e se desligaram automaticamente, e tudo devido ao acúmulo de energia por falta de consumo. Nem mesmo os geradores eólicos escaparam, pois sem lubrificação e manutenção adequada logo eles também pararam. Como conseqüência não só a internet, como os telefones e tudo o que era controlado por computadores agora estão offline.
As estradas estão intransitáveis após a população tentar utilizá-las como rota de fuga em frustradas tentativas. Todos os grandes centros urbanos estão desertos, agora são como grandes armadilhas. Comunidades menores criaram barreiras para que nada chegue até elas, partem do principio “construir abismos ao invés de pontes”, já outras formaram gangues e milícias, e buscam todos os tipos de suprimentos, todos mesmo.
Milhares de errantes estão espalhados pelas cidades. Vivemos num mundo sem leis, a sociedade como conhecíamos se desintegrou. Uma nova Era começou, a Era da Sobrevivência. Nada poderia nos preparar para o que aconteceu, nem mesmo nossos lideres poderiam prever tal catástrofe.



Fonte: http://mortosfamintosorigem.blogspot.com.br/2012/12/contos-do-apocalipse-zumbi-guerra-pela.html

07 novembro 2014

Conselho de Jobs.

Em 12 de junho de 2005, Steve Jobs, então presidente-executivo da Apple Computer e da Pixar Animation Studios, fez um discurso aos formandos da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. O texto em que Jobs fala de sua vida, de sua opção por não cursar uma faculdade e no qual dá alguns conselhos aos estudantes, ficou famoso e repercute até hoje, sendo volta e meia republicado e lembrado. Confira a íntegra do discurso.




"Estou honrado por estar aqui com vocês em sua formatura por uma das melhores universidades do mundo. Eu mesmo não concluí a faculdade. Para ser franco, jamais havia estado tão perto de uma formatura, até hoje. Pretendo lhes contar três histórias sobre a minha vida, agora. Só isso. Nada demais. Apenas três histórias: 

A primeira é sobre ligar os pontos.

Eu larguei o Reed College depois de um semestre, mas continuei assistindo a algumas aulas por mais 18 meses, antes de desistir de vez. Por que eu desisti?
Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era jovem e não era casada; estava fazendo o doutorado, e decidiu que me ofereceria para adoção. Ela estava determinada a encontrar pais adotivos que tivessem educação superior, e por isso, quando nasci, as coisas estavam armadas de forma a que eu fosse adotado por um advogado e sua mulher. Mas eles terminaram por decidir que preferiam uma menina. Assim, meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam um telefonema em plena madrugada "temos um menino inesperado aqui; vocês o querem?" Os dois responderam "claro que sim". Minha mãe biológica descobriu mais tarde que minha mãe adotiva não tinha diploma universitário e que meu pai nem mesmo tinha diploma de segundo grau. Por isso, se recusou a assinar o documento final de adoção durante alguns meses, e só mudou de idéia quando eles prometeram que eu faria um curso superior.

05 novembro 2014

A última carta de um Kamikaze

Muitas vezes você olhou e sorriu para o meu rosto. Você também dormiu em meus braços, e tomamos banho juntos. Quando você crescer e quiser saber sobre mim, pergunte a sua mãe e tia Kayo. Meu álbum de fotos foi deixado para você em casa. Dei-lhe o nome de Motoko, esperando que você fosse uma pessoa gentil, bondosa e carinhosa.

04 novembro 2014

A espada de São Martinho

São Martinho de Tours. Museu de Cluny, Paris.O Conde de Besalu era um valente que derrotou os mouros em muitas batalhas. Onde havia perigo, lá estava ele com seu exército, e não tardava em dar boa conta das turbas infiéis.


Um dia, estando em seu castelo, veio um de seus guardas dizer-lhe que sabia de boa fonte que os mouros subiam de Bañolas em direção a Santa Pau. Imediatamente o Conde reuniu os seus leais, e saiu para enfrentar os mouros e impedir-lhes o avanço.


Quando os encontrou, no mesmo instante arremeteu contra eles com o ímpeto que lhe era peculiar. Mas em pleno combate sua espada se quebrou. Não era o Conde homem que se conformasse vendo pelejar seus soldados, mas não lhe era possível seguir lutando desarmado.
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