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01 outubro 2014

Adeus

De  Lord Byron


Adeus! e para sempre embora,

Que seja para nunca mais:

Sei teu rancor - mas contra ti

Não me rebelarei jamais.



Visses nu meu peito, onde a fronte

Tu descansavas mansamente

E te tomava um calmo sono

Que perderás completamente:



Que cada fundo pensamento

No coração pudesses ver!

Que estava mal deixá-lo assim

Por fim virias a saber.



Louve-te o mundo por teu ato,

Sorria ele ante a ação feia:

Esse louvor deve ofender-te,

Pois funda-se na dor alheia.



Desfigurassem-me defeitos:

Mão não havia menos dura

Que a de quem antes me abraçava

Que me ferisse assim sem cura?



Não te iludas contudo: o amor

Pode afundar-se devagar;

Porém não pode corações

Um golpe súbito apartar.



O teu retém a sua vida,

E o meu, também, bata sangrando;

E a eterna idéia que me aflige

É que nos vermos não tem quando.



Digo palavras de tristeza

Maior que os mortos lastimar;

Hão de as manhãs, pois viveremos,

De um leito viúvo despertar.



E ao achares consolo, quando

A nossa filha balbuciar,

Ensiná-la-ás a dizer "Pai",

Se o meu desvelo vai faltar?



Quando as mãozinhas te apertarem

E ela teu lábio -houver beijado,

Pensa em mim, que te bendirei

Teu amor ter-me-ia abençoado.



Se parecerem os seus traços

Com os de quem podes não mais ver,

Teu coração pulsará suave,

E fiel a mim há de tremer.



Talvez conheças minhas faltas,

Minha loucura ninguém sabe;

Minha esperança, aonde tu vás,

Murcha, mas vai, que ela em ti cabe.



Abalou-se o que sinto; o orgulho,

Que o mundo não pôde curvar,

Curvou-se a ti: se a abandonaste,

Minha alma vejo-a a me deixar.



Tudo acabou - é vão falar -,

Mais vão ainda o que eu disser;

Mas forçam rumo os pensamentos

Que não podemos empecer.



Adeus! assim de ti afastado,

Cada laço estreito a perder,

O coração só e murcho e seco,

Mais que isto mal posso morrer.

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