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sábado, 28 de setembro de 2013

O Cavaleiro e a Guerreira - (Final)



 Akemi observava enquanto Ray avaliava o corpo caído do antigo “pai”.
– Ele está vivo? – perguntou Akemi.
– Sim, está. Apesar de todos os ferimentos, ele ainda está vivo.
Akemi levantou a sua ninja-to para findar com a sua vida, Sir Ray segurou o seu braço.
– Não! – disse de forma incisiva. – Não cabe a nós matá-lo.
– Ele virá em nosso encalço.
– Que seja, deixe assim. – concluiu o cavaleiro. – Desestabilizamos consideravelmente a sua família, levará anos para que ele a recomponha.
Uma risada tomou o lugar, era o nobre, agora encarcerado pela guarda, devido às denúncias sofridas, preso em um canto.
– É isso que o torna fraco, cavaleiro. – disse. – Você permite que seus inimigos retornem. Por que não me retira a vida de uma vez por todas?
Sir Ray aproximou-se do nobre desonrado, deixando Akemi para trás.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O Cavaleiro e a Guerreira - (Continuação lll)

 O dia havia vencido a noite, e o sol mostrava-se no horizonte. A casa ainda mostrava-se imponente, a grande propriedade mostrava-se inalterada, assim como as árvores que se erguiam, com as suas copas acompanhando a cobertura do castelo.
– Ela não retornou da noite passada. – disse o nobre para um outro homem ao seu lado. – Acredito que sua filha falhou.
O outro homem nada disse.
– Isso pode significar apenas duas coisas, ou ela foi morta pelo samuria estrangeiro, ou desertou da missão.
O olhar do outro homem se enfureceu.
– Minha filha jamais deixaria uma missão para trás. Provável é que tenha morrido.
O nobre andou pela sala.
– Então, isso significa que aquele homem deve ter arrancado a informação dela e está vindo para cá. – sorriu. – Creio que me culpará por ter enviado a sua filha para a morte certa. Seja como for, preciso que você e sua família me protejam.
– Ela era a minha melhor shinobi, – retrucou. – o senhor não disse que este homem era tão perigoso. Sua vida está em risco, pode morrer.
– Eu morrer? – disse agora de forma séria. – Caro guerreiro, deixe-me esclarecer uma coisa: eu não posso morrer. Pessoas morrem por mim, morrem por minha causa.
– Este serviço lhe custará muito mais caro.
O nobre aproximou-se de uma das paredes do aposento, fazendo-a correr para o lado, apresentando no outro aposento com uma enorme soma em riquezas.
– Preciso que faça uma última missão para mim. Sempre me certifiquei de que, onde quer que eu fosse, houvesse amplo – procurou a palavra mais adequada. – suporte. – caminhou de volta ao local onde estava. – Um homem como eu, sobrevivendo no mundo que vivo, tem que estar preparado para qualquer eventualidade, mesmo as mais desagradáveis, incluindo a possibilidade de anteciparem os seus movimentos.
O guerreiro fez um gesto positivo com a cabeça. Lentamente, dezenas de guerreiros começaram a surgir das sombras, cobertos por roupas em tons escuros.
– Sua paga é bem vinda. – concluiu o guerreiro.

O sol mostrava-se alto no céu. O castelo fervia e era guardado. Os soldados invisíveis espalhavam-se por toda a propriedade, mesmo não havendo sombras, eles mostravam-se disfarçados entre os demais servos, aguardando o samurai estrangeiro. Foi então que, surgindo no horizonte, formou-se a silhueta de uma mulher, era Akemi.
Os seus “familiares”, disfarçados dentre os demais, espantaram-se ao vê-la viva. Havia duas únicas conclusões lógicas: ou cumprira a missão com incrível dificuldade ou perdera desgraçadamente, sem que lhe tirasse a vida, isso era imperdoável. A bela mulher chamou a atenção de todos enquanto adentrava a propriedade. Transpassou os limites do castelo, adentrando o recinto. O nobre e o seu “pai” aguardavam pacientemente.
– O que aconteceu? – perguntou o estranho homem.
– A vitória escapou-me dentre os dedos, meu senhor. O samurai estrangeiro é deveras poderoso, sua força me superou, assim como a sua postura e caráter surpreenderam o meu íntimo.
– Como ousa?
O nobre abriu um leve sorriso.
– Este não é exatamente o local para um grande final de uma relação de família. Mas mostra-se reservado suficiente, requintado o suficiente, para que um pai e uma filha possam por fim a tudo.
O estranho homem sacou a sua espada de lâmina curta.
– A decepção tomou o meu coração, não esperava tamanha desonra vinda de ti.
– Perdoe-me, pai.
– Para esse tipo de falha, não há perdão.
A mulher baixou a cabeça, o estranho homem levantou a sua espada, mirando o pescoço de sua filha. O nobre assistia com atenção. Foi quando o seu pai desceu a espada, porém Akemi desviou-se para o lado e contra-atacou, cravando uma shuriken no abdômen daquele que a mataria. Um grito estarrecedor. Akemi afastou-se rapidamente. O nobre se surpreendeu.
– O que você está fazendo?
– Nada pior do que você faria. – disse uma outra voz de súbito. Era Sir Ray, ele havia aproveitado a grande distração causada por sua nova companheira e infiltrou-se no castelo, algo impossível até então.
O nobre afastou-se, tomado pelo susto. O castelo foi tomado por ninjas.
– Está na hora de acertarmos as contas, nobre. – comentou Sir Ray.
Uma estrela de arremesso foi jogada em sua direção, Akemi a apanhou no ar, defendendo o seu novo parceiro. Sir Ray avançou contra o nobre, apanhou uma outra shuriken e trespassou o ombro do nobre, cravando na madeira da parede à sua retaguarda.
– Não saia daqui. – disse Sir Ray com ironia.
Os ninjas avançaram.
– Não se intrometam! – gritou o estranho homem arrancando de sua barriga a lâmina fatal e empunhando novamente a sua espada. – Vocês vieram me desafiar, portanto, terminem o que se propuseram a fazer.
Todos recuaram.
Akemi saltou em direção ao seu antigo “pai”, desfazendo a sua postura de defesa, agarrando-o pelo pescoço, empurrando-o contra a parede, ambos a atravessaram, invadindo o cômodo das riquezas. A espada do seu inimigo caiu de sua mão devido à força do impacto. O antigo mestre de Akemi tombou de costas, perdendo todo o ar, mas revidou rapidamente, antes mesmo da queda terminar, chutando a sua cabeça. A bela mulher rapidamente recuperou-se. Ambos se levantaram, era tudo muito rápido. Outro chute fora aplicado, ela defendeu-se, segurando a sua perna em seguida, torcendo-a para o lado, forçando-o a perder o equilíbrio, mas ele rodou sobre o seu eixo desferindo outro chute, golpeando-a com força, jogando-a contra a divisória da casa. Apanhou a sua espada em um sobressalto, segurou-a mais uma vez pela garganta, ergueu a sua arma para fincar em sua face.
Todos os seus súditos observavam. Ele era o grande senhor daquela família.
– Traidora!
De súbito, a espada de Sir Ray cortou alguns dedos da mão que segurava a ninja-to, fazendo-a cair invariavelmente. Mais um urro se ouviu. Akemi golpeou com um soco direto em sua face. Sir Ray golpeou-o mais uma vez, agora em sua nuca. Akemi desferiu uma joelhada em sua garganta, fazendo-o cuspir sangue. Ele foi jogado para outro aposento. Akemi apanhou a espada de seu antigo “pai” e correu para a outra sala. Sir Ray veio logo atrás.
– Vocês acham que vencerão? – questionou ele com ódio. – Meus súditos vingarão a minha morte!
– Destruirei duas raízes ruins esta noite, – respondeu Ray. – é o que me importa.
Akemi atacou, foi desarmada pelo seu “pai” e arremessada para o alto, caindo com força do outro lado do aposento. Mas não houve tempo de se defender do chute de Sir Ray, fazendo o seu sangue jorrar novamente. Ele caiu para trás, mas não sem arremessar a ninja-to contra o peito do samurai estrangeiro. Sir Ray segurou a lâmina com uma das mãos, cortando-a profundamente, inutilizando-a momentaneamente. Do chão, o ”pai” desferiu mais um chute, golpeando a sua face. Ray desferiu mais um chute, o estranho homem se levantou. Sir Ray atacou com a sua espada, desviou-se. Akemi retornou à batalha, golpeando a sua face. Ele a segurou pelo cabelo enquanto chutava a face de Sir Ray.
O samurai estrangeiro golpeou novamente com a espada, o “pai” puxou Akemi pelo cabelo, colocando-a à sua frente, segurando-a pelo pescoço com o braço à sua volta, protegendo-se. A espada de Sir Ray quase retalhou a sua companheira, parando, novamente, alguns milímetros de sua testa. O “pai” moveu-se para o lado, desferindo um novo chute, acertando-lhe o queixo, Akemi o puxou, ainda em sua retaguarda, golpeando as suas vistas, soltando-se rapidamente. A espada de Sir Ray cortou-lhe a face. Akemi golpeou o seu estômago e, em seguida, a sua face.
Ray preparou o último golpe, levantando a sua espada. O “pai” virou-se rapidamente e começou a fugir.
– O que ele pensa que está fazendo? – era Akemi.
Correu em desembalada carreira.
– Está fugindo?
O “pai” olhou para trás, fitando os seus agressores, passando por seus “filhos”, parecia fora de controle. Tropeçou nos degraus da escada da entrada da grande casa.
– Matem eles! – ordenou antes de cair e bater com o rosto em uma pedra pontiaguda no chão, ficou imóvel.
Os ninjas prepararam-se para avançar, o samurai e a ninja armaram-se com espadas.
Eles observavam o cavaleiro e a guerreira atentamente, a ordem era executá-los, sem piedade. O nobre continuava preso e sangrando, com a lâmina atravessada em seu ombro, mal podia ver o que estava acontecendo, mas sabia que agora, independente de quanto havia pago, aquela luta tinha se tornado pessoal, esse se deu à liberdade de sorrir.
Os ninjas prepararam as suas armas, o cavaleiro colocou a sua espada em riste à sua frente, a guerreira levantou a sua espada na altura dos olhos, mirando os seus alvos. Uma pesada chuva começou a cair do lado de fora da propriedade, lavando o sangue do “pai” que insistia em espalhar-se pela terra. Os ninjas ergueram as suas espadas e prepararam as armas de arremesso. Sir Ray e Akemi saltaram em meio aos seus inimigos.
Seus golpes eram certeiros, as shurikens passavam rentes aos seus corpos. Akemi e Ray guerreavam sem pensar, apenas faziam. Para onde quer que virassem as suas armas, havia um adversário a ser golpeado, eles mal conseguiam evitar os ataques inimigos.
Mais shurikens foram arremessadas, Ray utilizou um dos inimigos como escudo, desviou-se de outras, girando sobre o seu eixo e golpeando outro adversário. Preparou o próximo chute, mas foi segurado e empurrado, perdendo o equilíbrio. Akemi percebeu, desvencilhou-se de seu adversário e veio em seu socorro, golpeando aquele que o derrubou. Sir Ray caiu de costas contra a parede, levantou-se rapidamente, empunhou mais uma vez a sua lâmina, correu a katana nas vistas do adversário mais próximo, deixou-o cego. Um dos ninjas avançou com a sua espada, Ray a bloqueou com a sua, revidando em seguida. Akemi golpeou outros três. De súbito, um golpe sorrateiro acertou Sir Ray na altura do tronco, sua armadura o protegeu, mas ele sentiu o golpe. Akemi também foi golpeada. Ambos caíram. Não houve tempo de se recuperar, os adversários arremessaram novas estrelas, acertando-os de raspão, algumas poderiam estar envenenadas, se Akemi sobrevivesse, ofereceria o remédio ao seu parceiro de batalha. O gemido involuntário de dor foi proferido.
Houve uma rápida pausa na batalha, o ninja que tomaria o lugar do “pai” se adiantou, os observou. Akemi e Ray encararam de volta. Talvez quisessem intimidar, mas qual não foi a surpresa ao ver o casal de guerreiros saltando novamente contra os inimigos, atacando com as suas espadas, braços e pernas. Novamente, o cavaleiro e a guerreira esquivavam-se dos golpes e revidavam com perfeição. Um ataque lateral, uma esquiva; uma investida frontal, novo escape. E todos eram revidados, mas tudo parecia em vão, pois era uma luta perdida, não havia como aquele casal vencer tantos inimigos de uma só vez. Tudo já estava definido. Ray e Akemi iriam tombar enquanto aquele Clã de ninjas continuaria ofertando seus trabalhos aos nobres.
Foi quando se ouviu, do lado de fora do castelo, uma voz com autoridade:
– Parem todos vocês! – gritou. – Isso é uma ordem direta do grande Daymio!
Os ninjas espantaram-se, perceberam que a casa estava cercada por cavaleiros da guarda japonesa de Oda Nobunaga. Ray se espantou ainda mais.
– Quem os chamou para a batalha?
– Larguem as suas armas! – gritou outro soldado.
– De joelhos perante os representantes do seu senhor. – disse outro um tanto envolvido com o momento. – Agora!
– Quem os chamou? – insistiu.
Foi quando fitou o velho aldeão da insignificante aldeia, os guardas da cidade mais próxima deram ouvidos às palavras daquele senhor. Os ninjas armaram-se novamente, agora encarando a guarda, mas perceberam que seria uma batalha perdida, sumiram rapidamente na escuridão. Os soldados aproximaram-se da casa com cautela, o velho aldeão havia explicado cada detalhe, seus cabelos brancos impuseram um forte respeito naquele momento.
A batalha havia terminado.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O Cavaleiro e a Guerreira - (Continuação ll)

 A lua estava alta no céu, a aldeia estava prestes a repousar. Mas não importava o quanto ele contasse a sua história, a sua origem, os aldeões, principalmente as crianças, estavam fascinados por ele. Cada detalhe, viagem, desfecho de história, eram repetidas dezenas de vezes. Sir Ray contava a mesma história quantas vezes fossem necessárias contar. Os mais velhos da aldeia eram gratos por ele ter se fixado no local apenas para afugentar possíveis represálias. Porém, um aldeão enxergava um pouco mais além, ele percebia a bondade no coração daquele guerreiro, observava o seu semblante por debaixo de toda aquela força e intimidação.

Sir Ray percebeu a sua presença, o fitou de volta. O aldeão o chamou com o olhar, sem um único gesto, Sir Ray não pôde recusar, as crianças e demais presentes afastaram-se solenemente.
Ambos afastaram-se do local onde se encontravam.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O Cavaleiro e a Guerreira - (Continuação l)

 Uma casa se levantava imponente dentro de uma grande propriedade, as árvores erguiam os seus galhos, com as suas copas acompanhando a cobertura do castelo. Em seu interior, dentro de um salão, em meio às sombras, um nobre falava calmamente.
– Eu apoiei e financiei a sua família como débito de honra ao seu pai. – disse ele forma séria e segura. – Manipulei inimigos e os joguei contra eles como em um jogo de tabuleiro. E também não culpo se quiser descontar a sua raiva pela sua família em mim. Mas agora preciso que você dispense mais um pouco dos seus serviços ao meu favor. Há um homem que desejo imensamente a sua morte. Não entendo como ele pode estar em tanto lugares, em tantos momentos diferentes. Parece um inimigo à altura dos seus serviços. Ele deve possuir algo de sobrenatural sobre o seu entendimento. Algo onisciente e onipresente. Chego a pensar em onipotente, pois ele derrota quem eu envio com facilidade. Sem esquecer que possui a habilidade de prever cada passo meu e – começou a falar com uma certa indignação na voz. – isso me irrita. Agora ele se encontra em um campo que desejo dominar por motivos políticos e estratégicos. Basta aterrorizar alguns aldeões, mostrar como a área é desprotegida, algo muito simples, mas até nesse ponto ele interfere em meus planos. Não sou um simples nobre, Oda Nobunaga me tem em grande estima. Mas, para que ele continue a me conceder privilégios, preciso causar tumultos para depois resolvê-los. Perdi uma boa soma em riquezas para poder ver aquele lugar aterrorizado, porém aquele “estrangeiro” se intrometeu mais uma vez. Por isso, contratei os serviços de sua família, consegue me compreender? – respirou. – Qual é o seu nome?

terça-feira, 24 de setembro de 2013

O Caveleiro e a Guerreira - (Inicio)


Extremo Oriente, Japão. O ano do nosso Senhor de 1577. Era o governo de Daymio Oda Nobunaga. Seu objetivo era unificar todo o seu país, algo que ele ainda não havia conseguido. E isso não impedia que soldados sem honra tentassem impor à força os seus desejos aos mais fracos. Eles avançavam por um campo aberto, circundado, ao longe, por montanhas.
A aldeia era insignificante, cerca de duzentos habitantes. Os aldeões cessaram a plantação e olharam para os cavaleiros que vinham de forma ameaçadora, sobre as suas montarias. Todos temeram. A apreensão tomou aquele lugar ao fitaram a pequena cavalaria que se aproximava, trazendo em suas mãos a semente do caos. Eram, pelo menos, onze cavaleiros armados e preparados para impor as suas vontades sem que ninguém pudesse oferecer resistência alguma.
Foi então que um estranho homem partiu dentre aqueles camponeses, caminhando pelo espelho d’água da plantação de arroz e esperando mais à frente, colocando-se entre os aldeões e os temíveis soldados que despontavam ainda distantes. Sua aparência em muito diferenciava dos demais habitantes. Sua pele era clara, assim como os seus cabelos. Ele usava uma armadura japonesa, apesar de não parecer em nada com aqueles que ele pretendia defender.

sábado, 21 de setembro de 2013

Ordem do Dragão - (Final)

A vitória havia sido por completo, a invasão havia sido rechaçada. Os homens da Ordem do Dragão foram completa derrotados. Alguns eram levados para o cárcere, outros, ainda eram perseguidos pela floresta que cercava o perímetro da cidade.
– Eu não acredito. – disse Lien. – Nós conseguimos! Salvamos a cidade!
– E outros reinos... – complementou Sir Gregory com calma.
– Sempre achei que – continuou Lien. –, quando fizéssemos algo do gênero, sentiria o mundo aos nossos pés! Fizemos algo incrível, mas, agora que fizemos, não parece lá uma sensação tão boa. Só me sinto cansada! Quero descansar...
– Nós – era Sir Ray, muito machucado. – não fizemos metade daquilo que, pelo visto, estamos destinados a fazer...
– Não sabia que você sonhava tão alto... – era Sir Gregory.
– Não vamos começar com isso de novo... – retrucou. – Sabemos que o inimigo não se limitou somente aqui. Há outras cabeças a cortar deste Dragão...
Próximo ao castelo, via-se o governador, apoiado sobre os joelhos, tentando recuperar o fôlego, sua esposa o auxiliava. Lentamente, um soldado da guarda se aproximou.
– Governador, – disse. – o comandante Pedro perguntou se o senhor não deseja falar com o seu povo e os seus soldados. Eles estão muito abalados com o que aconteceu e achamos que uma palavra do senhor faria muito bem a todos.
– Com muito prazer, soldado. – disse em resposta. – Só me dê alguns segundos, está bem?
O tempo passou rápido, o governador Dom Paulo Barros Eurico, ainda machucado da batalha que enfrentara outrora, ao lado de seu comandante, de sua esposa Maria e do estranho grupo que montara anteriormente, pronunciou algumas palavras de ânimo ao seu povo. A invasão havia sido forte e incisiva, mas foi vencida, as ondas de ataque recuaram. A cidade de Eurico vivia! Estava de pé! E, com a ajuda de Deus, não haveria poder maligno que ousasse derrubar aquela cidade...
– É incrível. – observou Dom Esteves ao guerreiro árabe. – Estive nas mais diversas batalhas defendendo o reino do meu soberano, nas mais importantes! Porém nada se comparou a esta! Graças ao nosso esforço em conjunto, um inimigo poderoso veio por terra! A Ordem agora teme não somente a Dom Eurico, mas ao grupo de guerreiros estrangeiros que o rodeia!
– Agora, – era Depardieu se aproximando. – partiremos no encalço do inimigo. Sabemos que aqui não foi o seu fim, mas, independente do quanto a Ordem acreditava em sua onipotência, agora ele sabe quem nós somos...
O árabe sorriu.
– Não é todo dia que salvamos o mundo...
O guerreiro selvagem olhou a todos, do árabe, passando pelo espanhol, os ingleses e a chinesa, até focar sua visão no português, enquanto o povo festejava ao redor.
– Somos mais do que simples guerreiros. – concluiu. – Somos mais e estou gostando do que vejo...
Eles eram heróis...

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Guerreiro de Damasco (Final)

Deixei-o com ele e segui para tentar alcançar os seus comparsas, mas foi em vão. Corri por um bom tempo, mas era impossível alcançá-los. Retornei frustrado.
Quando me acheguei ao local onde havia deixado o atirador, o maldito estava morto, mas Abbas havia conseguido arrancar alguma informação.
O mandante do crime era um Paxá, um maldito governador local, seu nome era Raed. Era um homem desprezível que tinha divergências com o antigo Califa. O homem queria escravizar o povo através da oratória e influência, e sabia que o Hamam tinha as palavras certas, mas se recusou a fazê-lo. Então a “solução” seria retirá-lo do poder. Daí os malditos boatos.
Quando segui para o seu palácio, ele não estava mais lá. Não fui bem recebido, tentaram me prender, mas isso não era problema, dexei-os com um monte corpos amontoados, porém não os matei.

Ordem do Dragão - (Continuação lll)

A destruição no centro havia sido total.
Havia partes de corpos queimados por todo lado. A fumaça e o cheiro de morte tomava o lugar. O estalar das chamas ouvia-se em toda parte, não parecia haver nenhum sobrevivente.
Os invasores da Ordem do Dragão observavam a coluna de fumaça que se erguia do centro à partir dos muros recém tomados.
– Confirmem novamente. – dizia um dos homens, em uma língua estranha e coberto por uma manta com a estampa de um dragão. – Preciso ter certeza de que Dom Eurico e o seu estranho grupo de aventureiros morreram juntamente com aqueles pífios soldados.
Haviam corpos de soldados da guarda jogados pelos muros.
A Ordem havia tomado todas as defesas da cidade, a distração advinda do cavaleiro suicida havia garantido o golpe.
– Enviamos novos homens, Lorde Dracul. – disse dos oficiais da ordem, chamava essa classe de “Dragões Vermelhos”. – Mas não há sinais de vida advindo do local.
O Lorde aproximou-se de seu Dragão Vermelho.
– Não importa. – continuou. – Foi dedicado um grande esforço neste ataque para descartar qualquer tipo de incidente. Averigúem novamente e tragam-me a certeza de nossa vitória. Estou descendo neste momento para discutir os aspectos de rendição dessa maldita cidade.
– Sim, senhor. – disse em resposta o Dragão Vermelho.
O povo estava abalado frente aos acontecimentos advindos do centro daquela cidade, não faziam ideia do que havia ocorrido. Os Dragões Vermelhos convocaram mais alguns soldados da ordem, descendo os grandes muros rapidamente. Os guardas dos canhões dos muros da cidade não haviam visto a infiltração daqueles homens, uma vez que tinham a sua atenção voltada para as explosões que ocorriam no centro da urbe e a possível ordem de disparar ao primeiro descontrole. Não foram capazes de perceber quando os Dragões Vermelhos e seus subalternos se infiltraram e conquistaram todos os pontos estratégicos da cidade. Havia muitos guardas de Eurico que poderiam se erguer contra a invasão, mas com o comando da guarda e o seu governador mortos, além dos pontos estratégicos de defesa tomados, era certo que uma resistência seria inútil, sequer sabiam quem os estava invadindo.
A Ordem do Dragão controlaria a cidade daquele momento em diante.
Isso significava também que as outras grandes cidades da Europa também poderiam ser controladas, seria uma questão de tempo e estratégia. E todas ocorreriam da mesma forma como em Eurico, sem derramamento de sangue, poupando os seus habitantes. A Ordem focava apenas o comando, não a destruição daquilo que dominariam.

Em Frente ao Castelo de Eurico, algumas horas depois.

Aléxis Eurico, filho de Dom Paulo Barros Eurico via-se sob custódia do Lorde da Ordem. A criança havia recebido da pior maneira que os seus pais haviam sido mortos no golpe contra a cidade.
Mais de três mil homens, soldados da Ordem haviam passado os muros com extrema tranquilidade, uma vez que os portões dos muros agora se viam completamente abertos e sem defesa. A todos os soldados da guarda, era facultado o direito de juntar-se a ordem ou ser encarcerado, mas não havia notícias de que algum soldado havia se rendido.
Todos haviam sido rendidos e levados para a praça em frente ao castelo.
Uma formação militar da Ordem se concentrava no centro da praça em frente ao castelo, enquanto os soldados de Eurico eram obrigados a assistir.
Aléxis observava.
– Não acha isso incrível, pequeno nobre? – era o Lorde Dracul. – Tomamos a cidade de seu pai de forma extremamente incisiva, sem dar um único disparo, eliminando apenas aquilo que importava.
Aléxis o olhou de volta.
– Você não pareceu respeitar a vida dos meus pais. – respondeu a criança de forma firme.
O Lorde sorriu.
– Às vezes, – respondeu de forma fria. – precisamos retirar do caminho aquilo que nos impede de prosseguir. O seu pai estava se mostrando muito eficiente em nos “atrapalhar”. Quase destruiu a nossa Ordem há alguns anos, derrubou a nossa principal arma nas terras selvagens, mas agora temos o nosso trunfo, recebemos o apoio de que sempre procuramos ter, com os mesmos fins, e derrubamos o seu pai. Agora, poderemos seguir em frente: dominaremos a Europa sem derramamento de sangue desnecessário, apenas cortando as cabeças...
– E quanto a mim?
– Como?
– Por que ainda estou vivo?
– Você nada pode fazer, criança. É apenas um ser comum que nada fará quando puder fazer alguma coisa. Serve apenas como garantia caso alguém tente alguma coisa absurda. O que fizemos agora parece ruim, mas você entenderá com o tempo todo o bem que começamos a causar a partir da tomada dessa cidade.
– Vocês ainda não tomaram essa cidade. – retrucou o jovem Aléxis.
– Caso não tenha percebido, não houve resistência de nenhum de seus guardas, minha criança.
– É justo por isso que digo que vocês não tomaram a cidade....
– Do que você está falando?
Aléxis nada mais disse, foi quando um Dragão Vermelho aproximou-se.
– Lorde...
– Reporte, homem.
– Estivemos analisando os vestígios do centro e não encontramos indícios que apontassem para os corpos do governador, sua esposa e o seu comandante. Foram encontrados túneis subterrâneos pelos quais muitos poderiam ter escapado, inclusive o estranho grupo de aventureiros que Dom Eurico estava montando contra nós.
– O quê?
Aléxis sorriu.
– Meu pai não ordenaria a rendição de seu homens e fingiria uma aparente derrota à toa, meu caro Lord.
Só foi possível ouvir uma série de explosões e disparos de canhões, Aléxis sorriu. Algumas explosões ocorriam nos muros, de dentro deles; outras, partiam dos muros, golpeando, sem fazer muita mira, os três mil homens da Ordem que estavam ainda concentrados em frente ao castelo de Eurico. Os soldados da guarda de Eurico rapidamente se rebelaram, atacando os seus captores.
Uma batalha sangrenta estava para ocorrer dentro dos muros da cidade.
O Lorde Dracul virou-se para encontrar o jovem Aléxis, este já havia desaparecido. Agora o Lord começava a entender. O governador não sabia quem estava enfrentando, a Ordem estava segura em sua obscuridade. Mas agora, com o primeiro passo para dominar a Europa, revelaram-se por completo. Mas o problema maior seria justo o fato de ter ocorrido uma falsa vitória e que a Ordem ainda estaria pisando em terreno inimigo, com os seus túneis e passagens secretas.
Eurico havia aproveitado o momento para que a Ordem se mostrasse, justo em um terreno desfavorável. Eles haviam caído em uma armadilha.
No início da praça em frente ao castelo, só foi possível ver a sombra de Dom Eurico, o estranho grupo de aventureiros que havia montado, o comandante da guarda e os soldados de Elite, juntamente com os lendários arqueiros.
– Comandante Pedro, Dom Esteves, Sir Gregory, Sir Ray, liderem o ataque. – era a ordem de Dom Eurico. – O resto vem comigo!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O Guerreiro de Damasco (Continuação ll)

O antigo califa andou cercado de soldados, levando-o a ferros. Isto estava errado. Só conseguia ver a multidão se alvoroçando. Mas já estava tudo preparado: quando o califa colocasse os pés sobre aqueles degraus, eu cuidaria dos homens que o prendiam e Omã levaria o velho califa pelo caminho aberto no meio da multidão por Abbas. Eu retardaria todos os outros adversários com a minha vida, pois eu, Abd el-Rahman, não deixaria que o maior homem que já conheci em minha vida fosse morto aqui.
Faltava pouco.
Preparei a minha espada, fitei cada soldado. Todos desconfiavam de nossas ações, é claro que havia mais homens à postos para nos deter se fizéssemos alguma besteira, não sabiam eles como estavam certos. Primeiro, feriria o mais próximo a mim, depois avançaria contra o que estava próximo de Hamam.
Minha mente ficou silenciosa, concentrada. Cada passo ecoou em meus ouvidos.
Apenas mais um passo.
– Não! – disse o califa jogando-se em minha direção. – Proteja-se! 
Não entendi o que estava acontecendo até o momento em que ouvi um estampido ao longe e vi um fio de sangue saltar das costas do homem que viria proteger. Ele jogou-se na frente da linha de tiro que estava destinada a mim. Como ele percebeu aquele disparo? Quem atirou sabia que ele havia percebido, por isso mirou em mim. Sabia que Hamam me protegeria e não erraria o alvo.

Ordem do Dragão - (Continuação ll)

O cogumelo de fogo cedeu.
Havia sido uma explosão muito superior a todas as anteriores. Os guardas da cidade olhavam abismados para o que acontecia. O comandante Pedro Irineu Silveira sentia-se completamente impotente frente ao que havia ocorrido. O seu governador estava próxima àquela explosão, próxima demais. Cada fibra de seu corpo havia se arrependido amargamente de ter obedecido a ordem de permanecer distante do combate. Afinal, o que ele era? Era certo que o governador era um aventureiro, um grande aventureiro, mas o militar preparado para aquele combate era, sem dúvida, o comandante, o homem que sentia-se amargamente arrependido.
– Homens! – ordenou. – Dêem os sinais para os canhões! Caso eu não retorne com o governador ou, se escutarem uma nova explosão, disparem!
– Sim, senhor! – foi a resposta.
O comandante começou a avançar lentamente, destacou mais vinte soldados consigo, sabendo que, se o seu receio estivesse correto, não adiantaria de nada. Continuou caminhando em direção da explosão. Observou a fumaça espessa, aproximou-se do local, não conseguiu segurar a surpresa.
– O que vocês estão fazendo aqui? – era a voz do governador.
O comandante os observou. Todos aqueles aventureiros estavam bem.
Sir Ray Stephen carregava em uma das mãos o que havia sobrado do estranho cavaleiro, apenas a carcaça da armadura, o corpo havia sido vaporizado com a explosão.
– Isso ainda não terminou. – continuou o governador, um tanto alterado. – O que vocês estão fazendo aqui?
– Vimos a explosão, senhor. – respondeu o comandante.
– Isso ainda não terminou.
– Do que o senhor está falando?
– A Ordem do Dragão não enviaria apenas um cavaleiro suicida...
– Enviaria o melhor. – retrucou Esteves.
– Contra uma cidade?
– Talvez...
– Eles precisariam de um exército para derrubar este lugar!
Dom Eurico mal havia terminado as suas palavras quando percebeu o que havia falado.
– Comandante! – disse. – Preparem os homens! Isso foi uma distração! Preparem os homens!
– Distração? Para o quê?
Só foi possível ouvir os disparos de diversos tiros de canhões advinda dos grandes muros. Um deles passou rente ao guerreiro árabe, o seu vulto o arremessou alguns metros para trás. Outro explodiu perto de Avaantã, este desapareceu em meio à explosão.
– Fujam! – ordenou Eurico.
Uma chuva de bolas de fogo cortou o lugar. Todos os soldados começaram a correr. As explosões em solo arremessava, mutilava ou pulverizava quem estivesse próximo. Só foi possível ver um dos disparos arrancando as metades de cima de dois soldados, outro caiu sem a perna. Um dos soldados da guarda terminou sem a sua cabeça.
Gritos de dor dominaram o lugar ao mesmo tempo que as explosões continuava.
– Maria! – gritou Eurico.
O comandante, o governador, Dona Maria D’Ana, Sir Ray, Depardieu, Sir Gregory, Lien não viam escapatória para aquele fim. O árabe e o selvagem estavam desaparecidos.
– Corram! – gritou Sir Gregory seguindo em direção de sua esposa.
As explosões eram fatais...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O guerreiro de Damasco (Continuação l)


Mas algo de estranho sobreveio: acusaram-no dele ter se tornado um cristão. Acusaram-no de abandonar a sua fé. Ele fora acusado formalmente por causa de um pensamento que proferira uma vez em um devaneio solto ao ar em frente aos demais. O antigo Califa não aceitou tal acusação, apesar das aparências.
Muitos se levantaram a favor, outros, contra. Muitos debates, várias disputas.
A situação, com o tempo, tornou-se incontrolável. Houve um grave conflito, muito sangue fora derramado em vão, porém Hamam, o Califa de Damasco, vendo a situação que se estabelecera, se rendeu às forças militares e religiosas.
O violento combate terminou após a batalha mais improvável que qualquer habitante de Damasco já havia visto. O Califa, em sua rendição, rasgou as suas roupas e vestes em sinal de dor e miséria, jogando cinzas para o alto, desistindo da resistência.
Os homens que o defendiam, incluindo a mim, foram poupados e perdoados, talvez tenham entendido que não podíamos matar um homem com provas infundadas, nossa posição frente à luta era legítima. Por sinal, eu serei o próximo Califa, sinal que também entendem que não terão outra pessoa mais justa para ocupar o cargo.

Ordem do Dragão - (Continuação l)

Na casa da Guarda.

O comandante observava o que ocorria no centro da cidade à partir da casa da guarda. Os soldados não tiveram sorte alguma contra o cavaleiro desconhecido e os feridos não paravam de chegar.
– Aonde você está, governador? – perguntava-se.
– Estou aqui, comandante Pedro. – disse à retaguarda do militar, para o seu espanto.
O comandante virou-se rapidamente, só então percebeu que ele não estava só, mas acompanhado de diversos outros guerreiros distintos. Havia o que se poderia chamar de dois cavaleiros ingleses, uma moça das terras do extremo oriente, um homem com vestimentas da guarda francesa, um árabe e um indígena.
– Cavalheiros, – continuou Dom Eurico. – vocês já devem ter conhecido o comandante Pedro Irineu Silveira.
Dom Eurico voltou-se ao militar.
– Comandante, reporte-nos o que está acontecendo.
– Temos uma ameaça de nível e perigo desconhecidos. – começou. – Aparenta ser um homem, trajado como um cavaleiro medieval. Não temos nenhum outro dado sobre ele, exceto que surgiu no centro da cidade, em meio aos comerciantes e explodiu soldados meus de altíssimos preparo. Então...
– Explodiu? – era sir Ray.
– Como a um canhão? – era Lien.
– Não sabemos. – continuou o comandante. – Mas ele tem clamado pelo governador e destruído tudo que se encontra em seu caminho, incluindo civis e os meus soldados de elite. – apontou para a direção do qual homens feridos eram trazidos. – Não estamos preparados para isso...
– Ó, meu Deus. – era Lien.
– Eles eram “Soldados de Elite”? – era o Califa.
Os soldados feridos despontaram na entrada da sala enquanto outros os carregavam, estavam deveras machucados, sangrando por demais. Sua armas e armaduras estavam destruídas. Alguns estavam desmembrados. Gritavam de dor.
– Eram. – continuou o comandante, voltando-se para Dom Eurico.
– O que devemos fazer, senhor?
Eurico observou rapidamente.
– Comandante, – ordenou. – preciso de um batalhão de retaguarda e um grupo para evacuar os civis. Eu irei ao seu encontro!
– Senhor, – retrucou o comandante. – o senhor ir ao seu encontro é justo o que ele deseja. Sequer sabemos quem ou o que ele é. E essa coisa destruiu tudo que pus em seu caminho. Quanto à evacuação, os meus homens já se encontram no local.
– Chame a minha esposa. – complementou Eurico. – Precisamos de toda a força hábil de combate no local.
– Eu não trouxe os meus homens comigo. – era Esteves. – Victor seria de grande ajuda...
– Não trouxe? – era Lien. – E se fosse uma emergência, tipo, como esta?
– Era apenas uma reunião...
– Comandante, – continuou Eurico. – precisamos de alto poder de fogo.
– O que precisar, senhor.
– Aponte todos os canhões para o centro de Eurico.
– Mas o senhor estará bem no meio de tudo...
– Comandante, o povo...
Pedro hesitou por um instante.
– Sim, senhor. Darei ordens para que o façam...
Esteves adiantou-se.
– Deixe-me ir na frente.
– Não. – retrucou Dom Eurico. – Essa luta é minha e não envolverei a vida de vocês.
Esteves aborreceu-se.
– Se essa luta for fruto do teor da conversa que estávamos tratando minutos atrás, então eu estou envolvido!
– Mas...
– Dom Paulo Barros Eurico, – continuou o espanhol. – aquela coisa está buscando por sua vida e milhares de pessoas dependem da sua sobrevivência! Deixe-me ir na frente!

Momentos depois. No centro.

O cavaleiro continuava a sua destruição, agora invadindo uma praça. Os soldados estavam todos acuados. Os cidadãos de Eurico corriam em pleno desespero. Esteves despontou do outro lado da praça.
– Estou vendo o cavaleiro e não faço ideia do que estou olhando, senhores. – disse Esteves.
Soldados de Elite e Arqueiros dos muros de Eurico surgiram ao seu lado.
– Senhor, – disse o mais próximo. – já levantamos todas as informações possíveis e nada bateu com algo que se parecesse com isso.
– Já estive em diversas lutas, – respondeu Esteves. – e não ser capaz de sequer imaginar do que se trata essa cavaleiro é um tanto assustador. Irei tentar faze um contato pacificamente.
– Eu não faria isso, senhor. – retrucou o soldado. – Essa também foi a missão da tropa de elite anterior.
– Ainda há pessoas aqui, tenho de fazer algo.
Os soldados apontaram os seus mosquetes e flechas enquanto Esteves aproximava-se lentamente, sem empunhar arma alguma ou mostrar intenção de ataque.
– Cavaleiro, – disse. – chamam-me de Dom João Afonso Esteves de Sevilha, o Guerreiro Segundo o Coração de Deus, sou um dos comandantes dos tércios espanhóis. Acredito que tenha um pouco de reputação nos outros países e no seu também. Já ouviu falar?
O cavaleiro parou.
– Ele parou. – observou o califa, acompanhado dos demais, observando a uma certa distância.
– Cuidado, Esteves. – suplicou Dom Eurico.
– Você pode falar? – continuou o espanhol. – Ou se comunicar de alguma maneira que eu possa entender?
O cavaleiro manteve-se em silêncio.
– Esse cara parece um maluco! – era Lien. – Qual é o segredo para ser capaz de explodir coisas e ferir tantos?
– Fique em silêncio. – respondeu Sir Gregory.
– Quem é você? – insista o espanhol. – O que você quer?
O cavaleiro pareceu querer dizer algo.
– Dan... – disse. – te...
– O que foi que ele disse? – era Lien mais uma vez.
– Ele disse “Dante”. – respondeu Ray.
– Dante? – continuou o espanhol. – Seu nome é Dante?
– Sim...
– Dante Alighieri? Você não seria ele, não é? Esse é o único nome que eu...
– Dante...
– Certo. Dante. Por que está ferindo pessoas? Como consegue explodir as coisas? Onde você está indo?
O cavaleiro manteve-se em silêncio por alguns instantes. Então estendeu a mão.
– Euric...
Foi quando se ouviu um disparo, advindo da tropa de elite da cidade.
– Não! – repreendeu o espanhol.
– Eu o tinha na mira, senhor! – disse o soldado. – Acertei no meio da testa.
Esteves olhou de volta enquanto via o cavaleiro levantando-se.
– Você só o enfureceu. – concluiu. – Seja lá o que ele estiver usando, é resistente às nossas armas...
O cavaleiro apontou em direção aos soldados e Esteves.
– Cuidado! – disse o espanhol enquanto saltava rapidamente.
Só foi possível perceber uma forte explosão em meio aos soldados, uma coluna de fogo levantou-se com fúria. A explosão estremeceu a todos, inclusive Eurico e os demais. Dom Esteves escapou por pouco, mas totalmente desnorteado.
– Esteves! – gritou Eurico seguindo em sua direção, foi quando percebeu Avaantã seguindo mais à frente.
Dom Esteves tentou levantar-se, porém não conseguiu. O cavaleiro novamente apontou em sua direção. Foi quando se viu uma flecha cravar-se na fresta da armadura do cavaleiro, jogando-o para trás, era Dona Maria D’Ana Eurico, aproximando-se do espanhol.
– Acreditei que a sua reputação o tornaria imune a explosões. – disse ela ao espanhol.
– Dona Maria? – disse com espanto. – Como chegou aqui tão rápido?
– Mantive-me próximo. – respondeu.
– Você o derrotou?
Maria olhou para o lugar onde estava o cavaleiro, este levantava-se lentamente.
– Acredito que minha flecha não acertou fundo o suficiente. Quem em sã consciência iria querer continuar uma batalha com uma flecha cravada em um olho?
A criatura arrancou a seta de sua vista, jogando-a no chão.
– É melhor a gente sair daqui. – disse ela oferecendo apoio ao espanhol.
Os dois levantaram-se rapidamente. A criatura os fitou com o olho que restava, apontou a sua mão. Ele explodiria a ambos. Só foi possível enxergar um vulto de um guerreiro, passando a uma velocidade quase sobre-humana, acompanhado de um grito de guerra característico dos povos selvagens; para quem estava acostumado a correr em terras selvagens, transpor terras planas era deveras fácil.
Avaantã lançou-se sobre o cavaleiro.
– O que foi aquilo? – perguntou o espanhol ainda desnorteado.
Maria sorriu.
– Avaantã. – respondeu. – O Guerreiro Selvagem.
O tacape do guerreiro ascendeu contra o tronco do cavaleiro, o jogando para trás, golpeando-o em seguida, sem oferecer trégua. O cavaleiro tentou golpeá-lo em resposta. O seu punho, coberto pela armadura, arrancou sangue de sua boca. A resposta do selvagem, ignorando o ataque, foi imediata, acertando o queixo do inimigo, forçando a cabeça do seu adversário para trás.
– Esteves! – era Eurico. – Você está bem?
– Logo. Ajudem o selvagem...
Mais um golpe partiu de seu tacape, seguindo do céu à terra, forçando a cabeça do cavaleiro para baixo. O cavaleiro reagiu agarrando o pescoço do guerreiro selvagem, impedindo a próxima investida. O cavaleiro arremessou Avaantã para fora da praça, a força daquele ser parecia descomunal. Olhou em direção ao nobre espanhol, percebeu novos guerreiros à sua volta. Entre eles, o governador da cidade de Eurico.
Seguiu em sua direção.
– Ele está vindo para cá! – era Lien. – E acredito que nenhuma de nossas armas de corte ou perfuração tenham efeito contra aquela armadura. Ela aguentou um disparo de arma de fogo! Precisamos do guerreiro selvagem!
– Maria! – era Eurico. – Retire Esteves daqui!
Sua esposa rapidamente o atendeu.
Depardieu e Abd El-Ramahn já estavam de espada em punho, partiram de encontro. Sir Ray e Sir Gregory vieram logo em seguida. Lien arremessou o seu primeiro punhal, sem surtir efeito algum. As espadas dos outros quatro guerreiros também tiveram o mesmo efeito, a armadura suportou cada golpe de corte ou perfuração. O cavaleiro ignorou a todos, seguindo em direção a Dom Eurico.
– Eurico! – era Depardieu. – Saia daí! Você é o alvo!
O cavaleiro levantou a sua mão.
– Eu estou preparado! – respondeu. – Acho que entendi o seu truque! Afastem-se dele!
Todos se afastaram. O cavaleiro apontou a sua mão em direção ao governador da cidade de Eurico.
– E aí vamos nós.
Foi quando Dom Eurico percebeu, por debaixo do punho do braço metálico do cavaleiro, um pequeno explosivo de mão sendo arremessado em sua direção, o governador o apanhou em pleno ar e o arremessou de volta rapidamente.
A explosão colheu o cavaleiro, atingindo todos os outros com o deslocamento de ar.
– Eurico! – disse Depardieu em meio a coluna de fogo que se levantava.

Fora do campo de Batalha.

Esteves recobrou os sentidos, levantou-se rapidamente, retornou para a batalha.
– O homem quase foi pego em uma explosão e está retornando para o campo de batalha? – perguntou um dos soldados.
Dona Maria sorriu.
– É por isso que o meu esposo o considera um grande guerreiro.

No campo de Batalha.

– Guerreiros, – era Eurico. – estou bem!
Todos estavam atordoados com a explosão, jogados por terra, mas o foco havia ocorrido sobre o cavaleiro, este estava derribado.
– Fui capaz de deduzir a forma como ele arremessa os seus explosivos. – continuou. – Sim! Eu descobri o mistério! Ele possui um tipo de compartimento nessa estranha armadura que lhe possibilita arremessar explosivos de mão assim que estende o braço. Ele deve possuir algum tipo de estoque em suas costas, único lugar para reter tantos explosivos. – o cavaleiro começou a levantar-se. – Não sei se serei capaz de arremessar de volta o maldito explosivo novamente. É certo que sua armadura é de uma resistência fora do comum, pois resistiu a todos os ataques até então e uma explosão. Este homem deve ser algum louco ou deve ter a mentalidade de uma criança, pois esse ataque é um ataque suicida! Estou dizendo o mais rápido que posso caso aconteça algo... – o cavaleiro olhou em sua direção mais uma vez. – comigo...
– Eurico! – era Sir Ray tentando levantar-se, ainda em vão.
O cavaleiro ergueu novamente o braço, seria impossível efetuar a mesma proeza maios uma vez.
– Isso não é bom. – disse enquanto via a sua vida passar diante dos seus olhos.
Eurico só foi capaz de ver o compartimento no braço do cavaleiro abrindo-se. Foi quando o tacape de Avaantã surgiu sobre o braço do inimigo, acompanhado de um grito de guerra, forçando-o a abaixá-lo. Golpeou a cara do cavaleiro em seguida, sem dar trégua.
– Avaantã voltou! – exclamou Eurico com alívio. – Ufa!
O selvagem atacou mais algumas vezes a sua cabeça.
– Como você está? – era Esteves de volta ao combate, oferecendo apoio a Dom Eurico.
– Avaantã o está segurando da maneira que pode. Parece ser o único a conseguir. Todas as outras armas parecem inúteis frente àquela armadura. Quando isso terminar, irei condecorar aquele homem. Onde está Maria?
– Logo atrás. Tem algum plano?
– Talvez.
Os guerreiros já se encontravam restabelecidos, retornando para a batalha. O cavaleiro agarrou o selvagem pelo pescoço mais uma vez, era a vez da katana de Sir Ray descer sobre o braço do inimigo. A armadura resistiu ao ataque, o cavaleiro tentou revidar. Foi quando a espada chinesa de Sir Gregory atacou uma das juntas da armadura, cravando-se na dobradiça e impedindo que o cavaleiro pudesse estender um dos braços. O mesmo ataque se repetiu no outro braço, por parte do senhor Depardieu. O inimigo não poderia mais arremessar bombas de mão.
O tacape de Avaantã cortou o ar sobre a cabeça do cavaleiro novamente, dessa vez o deixando atordoado. O califa golpeou uma de suas pernas, fazendo-o cair de frente. Lien saltou sobre as suas costas, tentando cravar um dos seus punhais na junta do compartimento que guardava as “granadas”, tentou forçar uma abertura. O cavaleiro reagiu, Lien afastou-se com agilidade, deixando o punhal preso na fenda. O inimigo tentou esticar os seus braços; porém, em vão. Era a vez da espada de Dom Esteves, agora golpeando o lugar onde Lien havia cravado o seu punhal, finalmente abrindo uma pequena fenda.
– Agora! – gritou Eurico.
Dona Maria D’Ana ergueu o seu arco com a ponta de sua flecha em chamas e disparou. A seta cortou o ar formando uma labareda, acertando a fenda no compartimento às costas do cavaleiro e injetando fogo nos explosivos em estoque.
A explosão alçou ao céu com força.
Todos os guerreiros foram arremessados sem piedade.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Guerreiro de Damasco (Inicio)

 Península Arábica, Damasco, ano do nosso Senhor de 1567.
Todos conhecem a história do grande Califa Hamam iben El-Hashid, o garoto pobre que cresceu nas ruas de Damasco no início do século, vendo o melhor e o pior que o seu país tinha a oferecer. Em como ele viu as ameaças européias tentando marchar em sua direção contra a expansão Otomana, juntando-se às forças de combate contra o inimigo. E como um general, líder direto sob as ordens de Solimão, o Magnífico, viu a sua coragem, inteligência e sabedoria por trás daquele ímpeto jovial. Ele foi um dos melhores guerreiros do seu exército, um exército formado pelos melhores. O general tornar-se-ia Califa, e, Hamam, o seu ajudador. 
Porém tudo deu errado.
– Morte aos bárbaros! – era a frase proferida naquela época pelos húngaros.
Apesar do primeiro Exército de Ataque, conhecido por Rumélios, comandada por este general, sair-se bem, abrindo um caminho vitorioso para os exércitos seguintes, encerrando o destino dos seus adversários em sangue e fogo em apenas duas horas, apesar disso, foi repelido, levando a todos, inclusive o general, o futuro Califa de Damasco, à morte. No entanto, este não deixou de incumbir um homem para carregar o peso, este homem era Hamam iben El-Hashid, o único preparado até então, fosse pelo seu talento nato, fosse pelos ensinos do general.
Era uma tarefa impossível de cumprir. Mas Hamam fez isso parecer fácil, embora nunca tenha sido.
Ele lutava por aquilo em que acreditava, sendo um perfeito representante dos ensinamentos de Maomé e sempre levando o povo para mais perto de Alá. Ou por aquilo que ele acreditava ou por aquilo que deveria ser.

Ordem do Dragão - (Inicio)

Cidade de Eurico, Portugal, ano do nosso Senhor de 1569, poucos meses após à Missão de Guerra.
Avaantã não conseguia acreditar que havia aceitado o convite de Dom Eurico. “O nobre governador da cidade de Eurico”, dizia o mensageiro em terras selvagens brasileiras, temendo por sua vida frente aos guerreiros selvagens, “o convida para que atravesse o oceano como convidado na grande nave Capitania para que venha conhecer o mundo do seu ‘irmão de armas’”.
O líder selvagem, na verdade, sentiu-se deveras tentado em conhecer outras nações, mas tudo o que havia visto lhe causava desprezo: as grandes cidades, edificações, pontes, torres, tudo o deixava deveras disposto a retornar à sua terra. Os povos europeus necessitavam derrubar as suas florestas para se sentirem melhores e mais confortáveis. Era uma população desordenada, sem aparente limitação de poder, numerosa e descontrolada, com muitos fracos, gordos, doentes e despreparados para uma batalha.
Agora o selvagem encontrava-se, orientado pelo anfitrião da cidade, adentrando o castelo da família Eurico, lugar que poucos possuíam acesso. Percebeu uma certa movimentação dentro da casa, eram os servos de Dom Eurico. O anfitrião partiu para outra sala, deixando-o sozinho no grande salão.
Observou em volta, não gostava de esperar.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Em busca de Justiça (Final)

Ray observava do beco, entre as sombras. Lentamente, um homem começou a sair e partiu para o interior da carruagem. “É ele”. Ray partiu em direção ao carro. Os capangas de Jason colocaram-se ao redor da carruagem. Ray interpôs-se no caminho. Os capangas perceberam a ação, já sabiam do que se tratava, sacaram suas armas de fogo e espadas. Observaram o estranho homem de roupas estranhas, cabelo longo negro e a espada japonesa que vinha em sua direção.
O primeiro adiantou-se enquanto outro preparava a arma de fogo. Ray avançou sem piedade, sacando a sua espada ao mesmo tempo. O capanga mais à frente sequer foi capaz de perceber a lâmina de sua espada cortando-o ao meio. O segundo da escolta apontou a arma de fogo, mas não conseguiu disparar. Sua mão foi decepada, seguido pelo grito de terror, ajoelhou segurando o pulso. O golpe seguinte o matou, antes que ele viesse a sentir a qualquer tipo de dor ou sofrimento.
Ray olhou firme e de forma ameaçadora para os demais.
Quatro deles sacaram as suas espadas, sequer notaram o fio da lâmina de Ray formando um risco de sangue entre os quatro guerreiros, ele era muito rápido. O penúltimo avançou, foi retalhado ao meio. O último demonstrou todo o medo que sentia naquele momento, fugiu desesperadamente.

O Despertar de uma Amizade(Final)

– Está vendo?
– Será uma punição justa. Não foi isso que ele lhe ensinou?
– Eu matei capangas, bandidos! Jason era o último e minha justiça estaria completa...
– Acredita que estaria honrando o seu pai assim?
– Por que deveria ser o contrário?
– Você é um homem de bom coração, como o seu pai. Veio a esta terra para honrá-lo, mas não será dessa maneira que você fará isso.
– Do que está falando?
– Apesar de suas atitudes, sei que é um bom homem, você transpira isso.
– O que leva a pensar isso? Do seu ponto de vista, eu matei aquelas pessoas. Por isso estou aqui.
– Matou acreditando estar fazendo o certo. Eu conheço aqueles golpes, seu pai também me ensinou quando veio de sua terra. Cada golpe era um golpe de misericórdia, eliminando o inimigo sem dor, sem sofrimento, sem um ataque seguinte. O único que fugiu à exceção era justo quem você acreditava que merecia sofrer e ironicamente eu não deixei que o matasse.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Em busca de Justiça (Inicio)

Inglaterra, ano do nosso Senhor de 1566. As ruas inglesas eram estranhas, e Ray Brian Stephen encontrava-se ocupado. Ele veio do outro lado do mundo em busca do assassino de seu pai, um maldito o havia assassinado covardemente nas ruas escuras de Londres.
Seu pai era um grande aventureiro, era um cavaleiro da rainha, mas ninguém fez nada, ninguém buscou honrar a sua vida. Então, Ray decidiu tomar as providências necessárias. A notícia de sua morte chegou aos seus ouvidos meses depois.
Raramente, ele visitava o país natal de seu pai, mas aquela morte covarde o deixou sedento por justiça e desejoso de desbaratar o grupo criminoso que o seu pai morreu tentando desmantelar, essa foi a sua última missão, não cumprida até então. Ele percorreu cada rua estranha daquela cidade que deveria considerar como lar, procurando cada componente daquele grupo criminoso.
A criação dada por sua mãe, que Deus a tenha, era puramente cristã. Ser um homem de bem, correto e bondoso, como Cristo foi quando esteve aqui na terra, era o seu objetivo. Mas a justiça precisava ser feita, e Ray não podia ignorar isso. A contagem de mortos a fio de espada só fazia aumentar. Sua katana era banhada diariamente pelo sangue do inimigo. Noites sem dormir. Dias sem parar. Mas ainda era pouco.

O Despertar de uma Amizade (Inicio)

Ray acordou mais uma vez. Olhou em volta. Estava preso, acorrentado, em uma cela já fazia alguns dias. Sua espada havia sido retirada de seu poder. Suas roupas ainda estavam ensanguentadas, mas as feridas encontravam-se tratadas e quase saradas. Havia uma faixa na cabeça, outra no ombro. Observou mais uma vez a cela que se encontrava. Novamente percebeu a janela vedada por barras de ferro. A luz do sol repetiria o seu ritual entrando timidamente, de forma fracionada, correndo por toda a extensão da cela lentamente até levantar-se ao cume da parede para depois desaparecer.
O carcereiro observou que o guerreiro havia despertado, passando o aviso à diante.

– Ele acordou! – disse o guarda.

Nada mais se ouviu. Ray permaneceu em total silêncio. O tempo passou lentamente. Breve o entardecer tomaria a cela. Foi então que ele pôde captar passos, ainda distantes. Não era apenas um homem, havia, pelo menos, mais outros quatro guardas com ele. Os passos aos poucos foram se aproximando, até que, sem muito surpresa, o rosto de Sir Gregory despontou nas barras de ferro.
Ray olhou sério para a sua face.

– O que veio fazer aqui depois de todos esses dias?

– Seu pai era um exemplo de homem, – começou Sir Gregory. – e foi meu mestre. Sua morte foi sentida por todos, principalmente pela rainha. E ela não tem o desejo que o seu filho permaneça encarcerado em uma jaula que não foi feita para ele.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O Fim dos Luminares (Final)


– Estamos vendo Dom Eurico. – disse outro em resposta.
Os soldados rapidamente partiram para içá-lo das águas do fosso. Dom Eurico foi rapidamente resgatado.
– O senhor está bem? – perguntou o Comandante da Guarda Pedro Irineu Silveira.
Eurico rapidamente recuperou o fôlego.
– Ficarei melhor quando souber que conseguimos derrubá-los de uma vez por todas... – disse fitando o castelo.
Mais disparos foram deflagrados. As chamas foram alastrando-se mais e mais. Após algum tempo, só era possível perceber as paredes de pedra envolto em chamas, com as suas labaredas saltando pelas janelas e portas. Depois de tantos anos em uma perseguição contra a maldita Ordem dos Luminares, tudo parecia correr para um desfecho. Após algumas horas, o castelo estava em ruínas.
O Comandante Pedro Irineu Silveira se adiantou.
– Muito bem, homens! – disse. – Já vimos por demais! Vamos entrar no castelo!
– Mas, senhor! – retrucou outro. – Tudo foi queimado! O que pretende fazer?
– Abrir caminho para que Dom Paulo Eurico possa averiguar se o inimigo fora derrotado!
– Sim, senhor.

O Resgate (Final)

A filha do Mandarim se encontrava no interior de um aposento, vigiada por dois homens pelo lado de dentro. Do lado de fora, ainda havia mais dois guardas. A moça não via esperança de fuga e sobrevivência. Aceitava calada o que lhe aconteceria: ser vendida por alto preço como artigo de prostituição. Malditos eram aqueles que compravam aquele tipo artigo. Um suspiro de tristeza irrompeu de sua boca.
Foi quando a moça ouviu um som de batalha do lado de fora do aposento, os vigias se olharam, então se prepararam para resistir ao que estivesse tentando invadir o lugar. A filha do Mandarim teve um raio de esperança. Talvez o seu pai tivesse enviado um exército para resgatá-La. Era isso! Só podia ser! Todos os homens fiéis ao seu pai estavam agora do outro lado daquela porta!
– Aqui! – gritou a moça por instinto.
– Fique quieta! – disse um dos capangas.
Foi quando a porta se rompeu, vindo abaixo. Qual não foi a sua surpresa ao perceber uma jovem guerreira transpassando os limites da entrada da sala.
O primeiro guarda investiu, apenas para sentir um forte golpe na garganta e outro no nariz, de baixo para cima, quebrando-o e imobilizando de dor. O guarda seguinte avançou com a sua espada. A jovem guerreira desviou-se do golpe abaixando-se e deixando-o passar por sobre a cabeça. O golpe seguinte dela foi no punho da espada, desarmando o vigia. O seguinte acertou-lhe o rosto, o estômago e o meio das pernas, caiu gemendo de dor.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Contos de terror!



Olá! Que bom que você está aí!

          Passei aqui hoje para avisar que à partir de HOJE, eu tomo conta dos Contos de TERROR! Algumas são criações minhas, outras eu pego em sites, talvez eu use meu método de escrita, ou não! Nunca se sabe! Hehe! Tenho o costume de colocar uma ou mais imagens no meio dos textos (para auxiliar a imaginação do leitor) e também, às vezes coloco um vídeo relacionado ao assunto... Bom, para encerrar vocês podem me chamar de Panda! E espero divertir vocês! Haha! Bons pesadelos! :)


O Fim dos Luminares (Inicio)



Entre as montanhas européias, local indefinido, final do ano do nosso Senhor de 1566. O Castelo em meio ao cerco da neve estava em polvorosa com a invasão. Os antigos Luminares, uma antiga organização formada por cavaleiros vindos de Roma e que promoviam uma “limpeza espiritual” à fio de espada, baseando-se no critério de participarem da mesma fé ou não, estavam recebendo o seu golpe mortal pelas mãos do nobre aventureiro Conde Paulo Barros Eurico, governador de sua cidade em Portugal.
Dom Eurico, no comando de seus homens, havia conseguido descobrir o local secreto da sede desta maldita Ordem de criminosos e havia caçado-os até último, até aquele castelo escondido entre as cordilheiras. Porém algo estava errado. O líder desta Ordem não era um Luminar, ele se autodeclamava um Lorde, “Lorde Dracul”, talvez fosse romeno.
Estavam no alto da torre, no último nível do castelo. Todos os homens de Eurico haviam perecido frente ao combate, havia sido uma batalha ruim. Alguns Luminares mantinham-se ainda prontos para continuar a batalha. Dom Paulo Barros Eurico e o Lorde Dracul se encaravam. As armas estavam em punho, o derradeiro combate estava pronta a ocorrer.
– Espero que não esteja se sentindo otimista quanto a esta missão, Dom Eurico. – dizia o Lorde Dracul. – Porque ela acabou! Os seus homens foram feitos em pedaços, restando apenas a ti para manter um combate. A fonte pela qual os novos Luminares surgirão é ilimitada. Breve, nossas mãos alcançarão novas cidades e sufocaremos os seus governos e despedaçaremos as suas terras. O último golpe dado por ti e teus fiéis homens fora em vão! Quando matarmos a ti nesta sala, é certo que sairemos em busca por novos homens, tão firmes na fé quantos estes que agora lutam ao meu lado! Portanto, pare agora, pois o seu sacrifício foi em vão! Londres, Berlim, Colônia, Madrid, Lisboa, Sevilha, todas as cidades cairão ante a nossa força! Este combate frontal e assassínio que empreendeu contra nós foi inútil!

O Resgate (Inicio)

China, entre as montanhas, próximo a Pequim, ano do nosso Senhor de 1567.
A lua estava alta no céu. A guerreira Lien tinha uma missão a cumprir. A filha de um nobre Mandarim de nono grau, próximo ao imperador, havia sido sequestrada por um grupo de criminosos denominados “Tríade” e estes cobravam um alto preço ao Império para que viessem libertá-la.
A Tríade era o nome dado a um conjunto de ramificações de uma organização criminosa surgida no século XVI, na China, que explorava a prostituição no império trancafiando e comercializando mulheres. Eles sobreviviam sem abandonar os seus costumes, não deixando de punir pelos erros os seus discípulos e seguidores que operavam com objetivos de traficar, roubar, torturar e matar - os castigos, por vezes, eram cumpridos desde “dias a fio, somente a pão e água” até queimaduras severas ou amputação dos dedos das mãos e dos pés.
Possivelmente, o sequestro da filha do Mandarim era uma retaliação à Administração Pública tomada por este. De certa forma, os avanços positivos de sua administração em muito atrapalhavam a exploração da Tríade.
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