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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O Cavaleiro e a Guerreira - (Continuação lll)

 O dia havia vencido a noite, e o sol mostrava-se no horizonte. A casa ainda mostrava-se imponente, a grande propriedade mostrava-se inalterada, assim como as árvores que se erguiam, com as suas copas acompanhando a cobertura do castelo.
– Ela não retornou da noite passada. – disse o nobre para um outro homem ao seu lado. – Acredito que sua filha falhou.
O outro homem nada disse.
– Isso pode significar apenas duas coisas, ou ela foi morta pelo samuria estrangeiro, ou desertou da missão.
O olhar do outro homem se enfureceu.
– Minha filha jamais deixaria uma missão para trás. Provável é que tenha morrido.
O nobre andou pela sala.
– Então, isso significa que aquele homem deve ter arrancado a informação dela e está vindo para cá. – sorriu. – Creio que me culpará por ter enviado a sua filha para a morte certa. Seja como for, preciso que você e sua família me protejam.
– Ela era a minha melhor shinobi, – retrucou. – o senhor não disse que este homem era tão perigoso. Sua vida está em risco, pode morrer.
– Eu morrer? – disse agora de forma séria. – Caro guerreiro, deixe-me esclarecer uma coisa: eu não posso morrer. Pessoas morrem por mim, morrem por minha causa.
– Este serviço lhe custará muito mais caro.
O nobre aproximou-se de uma das paredes do aposento, fazendo-a correr para o lado, apresentando no outro aposento com uma enorme soma em riquezas.
– Preciso que faça uma última missão para mim. Sempre me certifiquei de que, onde quer que eu fosse, houvesse amplo – procurou a palavra mais adequada. – suporte. – caminhou de volta ao local onde estava. – Um homem como eu, sobrevivendo no mundo que vivo, tem que estar preparado para qualquer eventualidade, mesmo as mais desagradáveis, incluindo a possibilidade de anteciparem os seus movimentos.
O guerreiro fez um gesto positivo com a cabeça. Lentamente, dezenas de guerreiros começaram a surgir das sombras, cobertos por roupas em tons escuros.
– Sua paga é bem vinda. – concluiu o guerreiro.

O sol mostrava-se alto no céu. O castelo fervia e era guardado. Os soldados invisíveis espalhavam-se por toda a propriedade, mesmo não havendo sombras, eles mostravam-se disfarçados entre os demais servos, aguardando o samurai estrangeiro. Foi então que, surgindo no horizonte, formou-se a silhueta de uma mulher, era Akemi.
Os seus “familiares”, disfarçados dentre os demais, espantaram-se ao vê-la viva. Havia duas únicas conclusões lógicas: ou cumprira a missão com incrível dificuldade ou perdera desgraçadamente, sem que lhe tirasse a vida, isso era imperdoável. A bela mulher chamou a atenção de todos enquanto adentrava a propriedade. Transpassou os limites do castelo, adentrando o recinto. O nobre e o seu “pai” aguardavam pacientemente.
– O que aconteceu? – perguntou o estranho homem.
– A vitória escapou-me dentre os dedos, meu senhor. O samurai estrangeiro é deveras poderoso, sua força me superou, assim como a sua postura e caráter surpreenderam o meu íntimo.
– Como ousa?
O nobre abriu um leve sorriso.
– Este não é exatamente o local para um grande final de uma relação de família. Mas mostra-se reservado suficiente, requintado o suficiente, para que um pai e uma filha possam por fim a tudo.
O estranho homem sacou a sua espada de lâmina curta.
– A decepção tomou o meu coração, não esperava tamanha desonra vinda de ti.
– Perdoe-me, pai.
– Para esse tipo de falha, não há perdão.
A mulher baixou a cabeça, o estranho homem levantou a sua espada, mirando o pescoço de sua filha. O nobre assistia com atenção. Foi quando o seu pai desceu a espada, porém Akemi desviou-se para o lado e contra-atacou, cravando uma shuriken no abdômen daquele que a mataria. Um grito estarrecedor. Akemi afastou-se rapidamente. O nobre se surpreendeu.
– O que você está fazendo?
– Nada pior do que você faria. – disse uma outra voz de súbito. Era Sir Ray, ele havia aproveitado a grande distração causada por sua nova companheira e infiltrou-se no castelo, algo impossível até então.
O nobre afastou-se, tomado pelo susto. O castelo foi tomado por ninjas.
– Está na hora de acertarmos as contas, nobre. – comentou Sir Ray.
Uma estrela de arremesso foi jogada em sua direção, Akemi a apanhou no ar, defendendo o seu novo parceiro. Sir Ray avançou contra o nobre, apanhou uma outra shuriken e trespassou o ombro do nobre, cravando na madeira da parede à sua retaguarda.
– Não saia daqui. – disse Sir Ray com ironia.
Os ninjas avançaram.
– Não se intrometam! – gritou o estranho homem arrancando de sua barriga a lâmina fatal e empunhando novamente a sua espada. – Vocês vieram me desafiar, portanto, terminem o que se propuseram a fazer.
Todos recuaram.
Akemi saltou em direção ao seu antigo “pai”, desfazendo a sua postura de defesa, agarrando-o pelo pescoço, empurrando-o contra a parede, ambos a atravessaram, invadindo o cômodo das riquezas. A espada do seu inimigo caiu de sua mão devido à força do impacto. O antigo mestre de Akemi tombou de costas, perdendo todo o ar, mas revidou rapidamente, antes mesmo da queda terminar, chutando a sua cabeça. A bela mulher rapidamente recuperou-se. Ambos se levantaram, era tudo muito rápido. Outro chute fora aplicado, ela defendeu-se, segurando a sua perna em seguida, torcendo-a para o lado, forçando-o a perder o equilíbrio, mas ele rodou sobre o seu eixo desferindo outro chute, golpeando-a com força, jogando-a contra a divisória da casa. Apanhou a sua espada em um sobressalto, segurou-a mais uma vez pela garganta, ergueu a sua arma para fincar em sua face.
Todos os seus súditos observavam. Ele era o grande senhor daquela família.
– Traidora!
De súbito, a espada de Sir Ray cortou alguns dedos da mão que segurava a ninja-to, fazendo-a cair invariavelmente. Mais um urro se ouviu. Akemi golpeou com um soco direto em sua face. Sir Ray golpeou-o mais uma vez, agora em sua nuca. Akemi desferiu uma joelhada em sua garganta, fazendo-o cuspir sangue. Ele foi jogado para outro aposento. Akemi apanhou a espada de seu antigo “pai” e correu para a outra sala. Sir Ray veio logo atrás.
– Vocês acham que vencerão? – questionou ele com ódio. – Meus súditos vingarão a minha morte!
– Destruirei duas raízes ruins esta noite, – respondeu Ray. – é o que me importa.
Akemi atacou, foi desarmada pelo seu “pai” e arremessada para o alto, caindo com força do outro lado do aposento. Mas não houve tempo de se defender do chute de Sir Ray, fazendo o seu sangue jorrar novamente. Ele caiu para trás, mas não sem arremessar a ninja-to contra o peito do samurai estrangeiro. Sir Ray segurou a lâmina com uma das mãos, cortando-a profundamente, inutilizando-a momentaneamente. Do chão, o ”pai” desferiu mais um chute, golpeando a sua face. Ray desferiu mais um chute, o estranho homem se levantou. Sir Ray atacou com a sua espada, desviou-se. Akemi retornou à batalha, golpeando a sua face. Ele a segurou pelo cabelo enquanto chutava a face de Sir Ray.
O samurai estrangeiro golpeou novamente com a espada, o “pai” puxou Akemi pelo cabelo, colocando-a à sua frente, segurando-a pelo pescoço com o braço à sua volta, protegendo-se. A espada de Sir Ray quase retalhou a sua companheira, parando, novamente, alguns milímetros de sua testa. O “pai” moveu-se para o lado, desferindo um novo chute, acertando-lhe o queixo, Akemi o puxou, ainda em sua retaguarda, golpeando as suas vistas, soltando-se rapidamente. A espada de Sir Ray cortou-lhe a face. Akemi golpeou o seu estômago e, em seguida, a sua face.
Ray preparou o último golpe, levantando a sua espada. O “pai” virou-se rapidamente e começou a fugir.
– O que ele pensa que está fazendo? – era Akemi.
Correu em desembalada carreira.
– Está fugindo?
O “pai” olhou para trás, fitando os seus agressores, passando por seus “filhos”, parecia fora de controle. Tropeçou nos degraus da escada da entrada da grande casa.
– Matem eles! – ordenou antes de cair e bater com o rosto em uma pedra pontiaguda no chão, ficou imóvel.
Os ninjas prepararam-se para avançar, o samurai e a ninja armaram-se com espadas.
Eles observavam o cavaleiro e a guerreira atentamente, a ordem era executá-los, sem piedade. O nobre continuava preso e sangrando, com a lâmina atravessada em seu ombro, mal podia ver o que estava acontecendo, mas sabia que agora, independente de quanto havia pago, aquela luta tinha se tornado pessoal, esse se deu à liberdade de sorrir.
Os ninjas prepararam as suas armas, o cavaleiro colocou a sua espada em riste à sua frente, a guerreira levantou a sua espada na altura dos olhos, mirando os seus alvos. Uma pesada chuva começou a cair do lado de fora da propriedade, lavando o sangue do “pai” que insistia em espalhar-se pela terra. Os ninjas ergueram as suas espadas e prepararam as armas de arremesso. Sir Ray e Akemi saltaram em meio aos seus inimigos.
Seus golpes eram certeiros, as shurikens passavam rentes aos seus corpos. Akemi e Ray guerreavam sem pensar, apenas faziam. Para onde quer que virassem as suas armas, havia um adversário a ser golpeado, eles mal conseguiam evitar os ataques inimigos.
Mais shurikens foram arremessadas, Ray utilizou um dos inimigos como escudo, desviou-se de outras, girando sobre o seu eixo e golpeando outro adversário. Preparou o próximo chute, mas foi segurado e empurrado, perdendo o equilíbrio. Akemi percebeu, desvencilhou-se de seu adversário e veio em seu socorro, golpeando aquele que o derrubou. Sir Ray caiu de costas contra a parede, levantou-se rapidamente, empunhou mais uma vez a sua lâmina, correu a katana nas vistas do adversário mais próximo, deixou-o cego. Um dos ninjas avançou com a sua espada, Ray a bloqueou com a sua, revidando em seguida. Akemi golpeou outros três. De súbito, um golpe sorrateiro acertou Sir Ray na altura do tronco, sua armadura o protegeu, mas ele sentiu o golpe. Akemi também foi golpeada. Ambos caíram. Não houve tempo de se recuperar, os adversários arremessaram novas estrelas, acertando-os de raspão, algumas poderiam estar envenenadas, se Akemi sobrevivesse, ofereceria o remédio ao seu parceiro de batalha. O gemido involuntário de dor foi proferido.
Houve uma rápida pausa na batalha, o ninja que tomaria o lugar do “pai” se adiantou, os observou. Akemi e Ray encararam de volta. Talvez quisessem intimidar, mas qual não foi a surpresa ao ver o casal de guerreiros saltando novamente contra os inimigos, atacando com as suas espadas, braços e pernas. Novamente, o cavaleiro e a guerreira esquivavam-se dos golpes e revidavam com perfeição. Um ataque lateral, uma esquiva; uma investida frontal, novo escape. E todos eram revidados, mas tudo parecia em vão, pois era uma luta perdida, não havia como aquele casal vencer tantos inimigos de uma só vez. Tudo já estava definido. Ray e Akemi iriam tombar enquanto aquele Clã de ninjas continuaria ofertando seus trabalhos aos nobres.
Foi quando se ouviu, do lado de fora do castelo, uma voz com autoridade:
– Parem todos vocês! – gritou. – Isso é uma ordem direta do grande Daymio!
Os ninjas espantaram-se, perceberam que a casa estava cercada por cavaleiros da guarda japonesa de Oda Nobunaga. Ray se espantou ainda mais.
– Quem os chamou para a batalha?
– Larguem as suas armas! – gritou outro soldado.
– De joelhos perante os representantes do seu senhor. – disse outro um tanto envolvido com o momento. – Agora!
– Quem os chamou? – insistiu.
Foi quando fitou o velho aldeão da insignificante aldeia, os guardas da cidade mais próxima deram ouvidos às palavras daquele senhor. Os ninjas armaram-se novamente, agora encarando a guarda, mas perceberam que seria uma batalha perdida, sumiram rapidamente na escuridão. Os soldados aproximaram-se da casa com cautela, o velho aldeão havia explicado cada detalhe, seus cabelos brancos impuseram um forte respeito naquele momento.
A batalha havia terminado.

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