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terça-feira, 12 de novembro de 2013

O Novelo (Inicio)

Esta estória os avôs ouvem quando ainda são meninos. E tolos o bastante para não se perguntarem ‘como é possível?’. Ela é modificada para se adequar ao tempo em que é contada. Então a ouvem atentamente, imaginam. E sonham. Isso cria o Novelo. Antes que suas soberbas inteligências se perguntem, responderei às indagações que se formam em suas brilhantes mentes.
O Novelo simplesmente é. Sempre foi. E sempre será. Mesmo que nada mais haja, o Novelo estará lá. Para quando o Tudo surgir, ele coabite em sua essência, seja simbiose e uno, perdão e pecado, glória e vergonha, beijo e tapa, escapismo e meta.
Mas na verdade vocês mesmos sabem que o Novelo não é nada disso. Sabem que ele está aí, em algum lugar de suas mentes, mas não podem achá-lo. É mais fácil ignorá-lo por toda a vida. Ele é mais que sonhos e pesadelos.

Ele é... o Novelo.
Joel era um homem arrogante. Professor de uma universidade conceituada. Extremamente racional e objetivo, como se definia, em suas questões cotidianas. Seu divertimento era troçar das pessoas, de suas idéias, argumentos, atitudes. Nunca se importou em ofender, mal-dizer, tudo isso era para ele um jogo bem, e muito bem, jogado. Em suma, o mundo o incomodava. Porque Joel era grande demais para ele. Ele se sentia um gigante, o verdadeiro Godzilla, a desmembrar o íntimo das pessoas que entram em seu círculo de relacionamentos.
Certa vez, uma pequenina criança, um menino, estava sentado no capô de seu Corolla preto. Havia algo em suas mãos. A luz do sol de Copacabana ofuscava, mesmo de óculos escuros, os olhos de Joel.
Chegando próximo à criança, Joel percebeu que se tratava de um livro. A capa vermelha com contornos dourados fez-no lembrar de sua infância. Mas era algo quase apagado em sua mente. Porque para Joel a fantasia da infância era algo por demais abstrato para sua mente racional compreender. Joel odiava ursos cor-de-rosa, sapos falantes, coelhos que usam meias. Isso nos leva a crê que Joel tinha a alma de um porco presa num corpo humano.
‘Saia daí de cima, moleque’, disse Joel. O pequeno menino apenas olhou para ele. ‘Que é isso que está lendo?’. Arrancou de suas mãos o livro vermelho deixando soltar uma página. E ela fora levada pela brisa que leva ao mar para suas águas. A doce e frágil Alice era valsada pelas correntes de ar e afogada no mar, juntamente com o coelho branco.

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