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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Depois dos vinte

Escrito por: Juliane Bastos .

"Não posso me reter somente aos ditos, mas só hoje eu entendo o que muitas pessoas insistem em dizer. Realmente, o tempo muda a gente."

Depois dos vinte eu aprendi que por mais que as festas sejam boas, o melhor lugar é a nossa casa, o nosso canto, o nosso aconchego. Eu aprendi que nosso coração vai ser machucado várias vezes, vai custar, mas vai se recuperar de todas elas e vamos continuar achando que o amor é o melhor sentimento que existe. "Mas, não é?"

Aprendi que os melhores amigos irão embora e os mesmos te provam que a distância é só um mero detalhe e sempre que possível eles se fazem presentes. Aprendi que pai e mãe carregam com si uma sabedoria única e por mais que a gente tente "bater o pé" e contrariar os mesmos, no fim eles quase sempre estão com razão. Afinal, eles já passaram por caminhos parecidos.

Aprendi que não tem nada mais encantador que aquele pôr-do-sol bem acompanhado, ou, aquela noite de lua cheia, repleta de inspirações. Aprendi que as músicas antigas são as melhores, pois só elas são capazes de nos fazer voltar no tempo sem ter que sair do lugar. Só esses momentos nos permitem ter total orgulho de tudo que passamos.

Aprendi que devemos registrar todos os momentos vividos, seja em forma de fotografias, palavras, ou, até mesmo através da escrita. Pois logo ali a saudade vai bater e seu coração vai precisar relembrar o que passou e pode ter certeza ele vai te cobrar o porquê certo detalhe não está no grupo dos momentos que valeram a pena.

Aprendi que algumas cicatrizes são necessárias, para nos alertar por onde não devemos passar novamente. Aprendi que amores são diferente de paixões e que muitas vezes a solidão é a melhor companhia. Mas, que só por muito tempo nos torna um ser que não consegue se achar na multidão.

Aprendi que muitas vezes necessitamos que alguém nos entenda, para nos explicar como somos e o que devemos fazer em caso de total desespero. Que por mais que a gente abra o peito pra dizer que nos conhecemos, lá no fundo cada um de nós tem segredos de si próprio.

Aprendi que depois dos dez, depois dos dezessete, depois dos vinte eu comecei a descobrir em mim uma pessoa diferente, alguém que não consegue se habituar com o comum e que sempre tem que ter algo novo para mover seus dias. Sei que daqui um tempo, talvez depois dos trinta eu estarei diferente do que estou hoje e assim consecutivamente, até o fim, até eu aprender de fato o porquê estamos aqui.

Aprendemos e crescemos. A vida nos embala. Os passos conferem a saúde necessária para fortalecermos os olhares e os pensamentos. A vida se veste com um tecido mais firme, resistente. Aprendemos a saborear as verdadeiras nuances, jamais vistas quado éramos crianças. A gente evolui dentro de nós mesmos, e vai se conhecendo de pouco a pouco, intuindo os tesouros que guardamos no peito. Percebmos que sempre há de ter pistas escondidas no íntimo, mostrando as rotas para a nossa própria alma.

Viver é um eterno descobrir-se.

http://www.oqueumcoracaosente.com/2013/04/depois-dos-vinte.html

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