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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Coluna: Entrevistas (com Rodrigo Jesus)

Olá caros seguidores do Blog dos Contos, venho hoje anunciar a todos o inicio de nossas atividades. Hoje iniciarei a coluna de Entrevistas com um amigo escritor e colunista Rodrigo P de Jesus.

Para quem não sabe, esta ideia de entrevistas veio pelos motivos de ficar acordado a noite até tarde e não ter nada o que fazer ou assistir (culpa do Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Marília Gabriela, esses que passam na madruga). E logo comentei com um amigo e cá esta !

BDC: Agradecendo desde já a oportunidade, meu caro. Diga-nos como começou o seu interesse pela literatura?

Rodrigo P: Eu é que agradeço pela oportunidade e o espaço. Curiosamente, os clássicos literários nunca fizeram verdadeiramente parte da minha vida (risos), nunca li Don Casmurro, A Moreninha, Grande Sertão: Veredas, não por falta de tentativas, mas faltava algo para mim, não batia comigo. Reconheço a grandeza e importância dessas obras, e tenho profundo respeito pelo que elas e seus autores significam para a nossa cultura, mas definitivamente não é meu forte (mais risos). Eu sempre gostei de escrever, desde meus 10 anos, e nunca tomei alguém como referência, pois sempre coloquei no papel meus sentimentos e pensamentos, desde a mais profunda melancolia até a admiração pelas coisas naturais. Inconscientemente passei por fases da literatura clássica, como o naturalismo, por exemplo, a qual acredito ser minha fase preferida, mas passei a ler e a consumir literatura depois que conheci minha esposa, e hoje com 11 anos juntos estamos indo para a segunda estante de livros.

BDC: Quais gêneros são mais atrativos para você ?

Rodrigo P: Quando escrevo procuro não ter barreiras. Eu acho que a literatura, assim como a música, quando começa a ter grandes limitações perdem o seu sentido. Então você pode encontrar um texto meu de romance com referências até a RPG’s, ou pegar um conto de fantasia tão romântico quanto Romeu e Julieta (risos). Mas para ler, gosto muito de fantasias, ficções e histórias com referências ou base na idade média, então gosto muito de Dan Brown, André Vianco, J.R.R. Tolkien, J.K. Rowling, Stephen King, Bernard Cornwell, Edgar Allan Poe e Alexandre Dumas Pai.

BDC: O que chama a sua atenção nestes e nos demais contos ?

Rodrigo P: O que mais me chama a atenção é a capacidade de Dan Brown, por exemplo, de tecer uma trama fictícia com total encaixe na realidade, por exemplo, ou a coragem de ousar do André Vianco, indo além de limites. Por exemplo, tenho conhecidos que não conseguiram visualizar algumas partes de Os Sete e Sétimo por ser uma situação totalmente inusitada. Me chama a atenção a capacidade criativa sem limites de Tolkien e a escrita leve de J.K. Rowling.

BDC: Como começou a ideia de escrever, e de ir para a plataforma blog ?

Rodrigo P: Durante muitos anos eu escrevi feito um louco. Produzia textos e rasgava-os em seguida por não ter o que fazer com eles (risos) eu era um perfeito idiota e muito tímido, não tinha coragem de entregar para as garotas que eu gostava. Então durante quase 8 anos eu não produzi nada, a não ser as cartas para minha esposa. Nesse período eu participei de bandas, gravei um CD, fiz shows, cantei, toquei, casei, trabalhei, mas este lado meu começou a despertar novamente, lá no fundo, uma sombra entre as cortinas de vapor, um fio solto na teia da existência. Junto com o Rafael, um amigo, montamos um blog de música (o Brave Metal), em que eu escrevia as resenhas, fazia perguntas para entrevistas, mas ainda me faltava algo. Então em um belo dia, no escritório, parei e deixei aquela onda me tomar. Saiu um texto que agradou a muita gente, e me senti bem em colocar aquilo no papel, então resolvi retomar esse hábito e um velho projeto chamado Oblivion’s Shore, do qual haverá novidades em breve.

BDC: Na sua opinião, a literatura se valorizou nos últimos anos ?

Rodrigo P: Essa é difícil (pensando)... A literatura mudou muito, o que é necessário para sobreviver aos novos hábitos das pessoas e a nova realidade desse velho mundo. Vivemos em uma época em que tudo é consumo, tudo entra e sai de moda numa velocidade espantosa, e alguns autores se adaptaram muito bem a isso. Há alguns anos a saga Crepúsculo era o que havia de mais sofisticado, hoje já é considerado cafona por muitos jovens. Por isso eu acho que a literatura não se valorizou nem desvalorizou, quem ama ler, vai ler aquilo que ama, mas acho que perdemos autores com capacidade de fazer obras que atravessem gerações, como Tolkien, Rowling, Pedro Bandeira, Ariano Suassuna, entre outros. Quem valoriza a literatura é o leitor, e se o leitor não tem uma boa obra que o “tire” do mundo, a literatura fica de lado, é cíclico.

BDC: Para finalizar nossa entrevista, deixe uma frase.

Rodrigo P: Ainda procuro em minha existência o ser que ainda não sou, e não sabendo ao certo o que sou, vivo sem saber viver, respiro sem saber morrer, e ainda assim vivo, e penso, e sou.

BDC: Muito obrigado Rodrigo. Agradeço ao seu tempo para esta pequena entrevista e gostaria de agradecer por suas palavras.


Bem, é isso. Espero que gostem da nossa primeira materia do Entrevistando. Que sejamos sempre muito bem influenciados.

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