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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Missão de Guerra - Primeira Parte (Inicio)

Alto Mar, 1569, Oceano Atlântico. Estava amanhecendo devagar. O sol mostrava-se ainda muito tímido e fraco. A névoa cobria o horizonte com perfeição. Um navio francês, fortemente artilhado, atravessava o mar em direção às terras selvagens da América, especificamente, as terras denominadas, pelos portugueses, com o nome de Brasil.
O comandante da nave, capitão Jacques Luque D’Arc, comerciante famoso em seu país, começava a fazer préstimos militares à rainha-mãe, desde que fosse devidamente recompensado e patrocinado. Era um homem experimentado em navegação, porém pouco conhecedor no que tangia a batalhas marítimas, o que explicava a presença de um distinto cavalheiro, proveniente da Guarda de Elite do seu soberano francês. Seu nome era simples: Depardieu, um dos soldados de maior destaque de seu grupo. Mas Depardieu mostrava-se inconformado com a missão, observando os demais colegas, se debatia em pensamentos.
“Toda essa missão parece um tremendo desperdício. Tantos treinos e batalhas para ser retirado da tropa e encontrar a Rainha-mãe acompanhada de seus estúpidos conselheiros estratégicos de guerra. Deram-me a obrigação de liderar essa missão, assim como as informações de um povo rebelde francês, exilados em terras selvagens, que estava disposto a dominar um grande pedaço de território em uma das maiores colônias portuguesas e transformá-la em um Estado à parte das demais”.
– Que desperdício...
– Disse alguma coisa? – era o comandante da nave ao seu lado, observando o horizonte estranhamente enevoado, névoas não eram comuns naquelas águas.
– Não. – respondeu Depardieu. – Nada...

“É claro que a rainha deseja uma colônia nessas terras de ninguém, deseja explorá-la, mas acredita (e com razão) que os rebeldes franceses não se curvarão à coroa em terreno português. Mas a situação não é assim tão simples. Há relatos de que estes rebeldes, agora criminosos de guerra, são extremamente cruéis e perigosos, violentam mulheres e crianças das colônias portuguesas por puro prazer, e o fazem em nome do rei da França: Dom Carlos (o que vem trazendo sérios problemas). Os povoados nativos e fazendas portuguesas próximas foram dizimados por completo e os fortes de guerra foram destruídos. Soube que a nação portuguesa dispôs um de seus melhores homens para resolver este problema, porém foram aniquilados. No comando, estava o governador Dom Paulo Barros de Eurico, governante da maior cidade da Europa. Só não entendo o que a rainha encontrou de interessante nesses rebeldes. Apesar da força que possuem, são desordeiros e indesejáveis”.
– Que tipo de governante deseja aliar-se a essa corja?
– Senhor?... – era Jacques.
“Só posso entender que ela deseja mais poder, nem que, para isso, tenha que ‘rolar na lama’ com os seus súditos e rebeldes. Uma poderosa colônia francesa em terras selvagens, por menos mérito que possua, ela considera um ‘feito’. Sobrou justo para que eu fizesse as suas vontades, dominasse os rebeldes e os ajudassem a resistir à investida portuguesa (como se precisassem). Também me reportaram o medo de que esses rebeldes voltem as suas armas contra nós, contra a França, mesmo estando do outro lado do oceano. Dizem que eles possuem uma ‘arma secreta’ capaz de destruir qualquer força militar portuguesa, francesa ou espanhola, além de armas de fogo. E isso faz qualquer soberano tremer em seu interior, o que também me fez a ajudar a aceitar melhor essa ‘missão’. Aposto que os espanhóis já devem estar disponibilizando os seus homens e uma nave de guerra apenas para descobrir que poder de fogo é esse e trazer essa tecnologia para dentro de suas fronteiras. Gostaria de ter mais informações. Se eu pudesse encontrar esse tal de Dom Eurico”.
– Que tipo de nome é esse?
– Senhor?...
– Desculpe...
A estranha e indesejada névoa forte cobria a vastidão do mar.
“Então a missão é seguir para a colônia portuguesa: descobrir quem são esses loucos que agem em nome do rei e controlar, ou destruir, o inimigo. Meu Deus! Sempre que alguém coloca ‘missão’ e ‘rei’ na mesma frase, alguma coisa tem de ser destruída”...
Depardieu olhou para o convés do navio.
“Da última vez, foram os endemoninhados que desenvolveram hábitos vampirescos e, antes, aquele maldito mercenário”.
– Terra à vista! – gritou o olheiro do alto do mastro, observando algo em meio ao denso nevoeiro.
– Esse se mostra muito empolgado...
– Depardieu? – era o capitão Jacques mais uma vez.
– Desculpe-me, – respondeu. – estou apenas falando sozinho.
O capitão voltou-se aos demais.
– Recolham as velas principais, homens! – ordenou Jacques. – Não queremos descobrir da pior maneira se as águas são profundas ou não!
A ordem dada por seu capitão foi rapidamente atendida. Depardieu mantinha-se imóvel.
Jacques se aproximou, a névoa mal deixava que se enxergasse algo.
– Vejo a sua frustração em ter de vir a esta missão. – disse. – Mas respondemos ao nosso rei e este ficou receoso com tais rebeldes, a ponto de nos enviarem.
– Não tente me enganar escondendo a sua real motivação, capitão. – respondeu Depardieu. – Estou ciente dos seus ganhos com essa missão.
– Esse é um problema que precisava de minha ajuda...
Depardieu sorriu.
– Ainda assim, você recebe o que mais almeja...
– Esse lugar é estratégico para o domínio dos mares. – retrucou o capitão. – A matéria prima e especiarias que circulam no velho continente partem destas terras ou passam por ela, vindo das índias. Você não é um comerciante, por isso não teve essa visão, mas deveria ter observado. Se tivermos a possibilidade de efetivamente formar uma colônia nesta terra, devemos aproveitar.
– E, por fim, você aumentará ainda mais os seus ganhos. Nada sugere que esses exilados venham a se curvar à coroa, Jacques. Eles vão reagir. Possivelmente, essa missão fomentará que, no futuro, eles realmente venham contra a França.
– Por isso você está aqui. Já estamos na coordenadas dadas a nós. Domine esses homens e nos traga fortuna.
– Comandante! – gritou um dos tripulantes.
O capitão voltou-se rapidamente.
– Calma, homem! – respondeu. – Estou próximo o suficiente para não ter de agir nesse rompante!
– Não! – retrucou o tripulante apontando para o mar. – O que quero dizer é: “O que é aquilo”?!
Só foi possível ver uma bola de fogo cortando o ar atravessando o casco da nau como se fosse papel.
– De onde veio o disparo? – gritou o capitão enquanto a explosão acompanhava das chamas em ascensão, não se via barco algum. Alguns tripulantes foram arremessados ao mar.
Outra bola de fogo cortou o ar e destroçou mais uma parte do navio. Depardieu mantinha-se controlado.
– Estamos sendo atacados! – gritou outro tripulante antes de ver seu companheiro ser consumido pelas chamas e ter seu corpo dilacerado pela explosão.
“Eu estava certo em meu inconformismo”, pensou Depardieu.
Mais dois disparos, destruindo a proa.
– Depardieu! – gritou Jacques em desespero. Ele era apenas um comerciante.
Depardieu entendeu o apelo.
– Homens! – gritou ele. – Preparem os canhões!
– Mas não temos em que revidar fogo, senhor!
Depardieu passou o olhar rapidamente no horizonte.
– Estibordo! Em direção ao continente!
Os disparos do navio francês se seguiram, arrastando parte do nevoeiro, abrindo-a no meio. Não se ouviu o som como se acertasse algo, mas todos fixaram o olhar. Foi quando perceberam, ao ver a névoa enfraquecer, a sombra de um navio surgindo lentamente, no meio do percurso dos disparos. Só houve tempo de sentir a explosão de mais uma dezena de detonações vindas da nau de guerra misteriosa.
As bolas de fogo cortaram mais uma vez o navio francês, as madeiras do convés subiram, mais mortes foram sentidas.
– Atirem! – foi a ordem de Depardieu.
Mais disparos se deflagraram, dessa vez parecendo acertar o inimigo.
– Nova carga! – ordenou.
Mais disparos foram detonados. Foi possível ver algumas chamas levantando-se na névoa. Alguns tripulantes ficaram afoitos.
– Calma, homens! – ordenou mais uma vez.
Só se percebeu a fumaça do navio adversário alçando ao céu. Os tripulantes não se manifestaram, a conselho do guarda da elite francesa, mas haviam acertado o estoque de pólvora do navio. O silêncio e apreensão imperaram de sobremaneira.
– Preparem os canhões novamente! Quero homens a Bombordo e Estibordo. Timoneiro, eu quero...
Foi quando sentiram novas explosões, dessa vez à frente e à esquerda do navio. Depardieu teve apenas tempo de olhar para o seu timoneiro.
– Vire a Estibordo!
Mais disparos destruíram a proa do navio. A nau de guerra virou os seus canhões para o atacante.
– Fogo! – foi a ordem.
O inimigo foi golpeado, as chamas se levantaram. A nau francesa parecia agüentar bem. A nave inimiga não parecia possuir mais resistente.
– Nova carga!
Mais disparos se ouviram.
A névoa não era capaz de esconder o inimigo, as chamas se levantavam com decisão.
– Façam eles tremerem! – ordenou mais uma vez.
Mais disparos se seguiram, a embarcação inimiga foi fortemente golpeada, o jogo havia virado. A investida surpresa e covarde havia sido revertida. Logo a nau adversária começaria a afundar.
– Vamos nos aproximar, homens! Saquem as suas armas! Abordem com força e tragam a vitória para nós!
Mas viu-se que era impossível vencer, pois outro navio misterioso surgiu. “Está explicado motivo da missão portuguesa anterior ter falhado”. Agora, eram dois navios inimigos que disparavam naquele momento, mesmo que um estivesse à pique. Os disparos se seguiram destruindo o navio e a todos.

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