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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Corredores Sombrios (Continuação)

O homem passa bem na frente da porta onde eu estava e contenho um suspiro exaltado. Ele não me vira e continua andando. Espio a mulher sentada no balcão, loura, com um rosto bonito e uma roupa branca com algumas inscrições. Fecho a porta vagarosamente e olho ao meu redor procurando algo, mas nada.

Subo a escada até o segundo andar e abro uma pequena fresta na porta para espiar. Um medo crescente começava a me tomar e de uma coisa tenho certeza: eu corria perigo. Aparentemente, o andar estava vazio. A propósito, tudo ali parecia muito vazio. Eu só havia visto 5 pessoas até agora, uma delas, morta. Abro a porta, determinada a descobrir o que estava acontecendo ali.

Ando por todo o corredor, abrindo algumas portas. Nem tinha me dado conta de que o alarme parara. Todos os malditos quartos estavam vazios. Na última sala, encontro uma mesa de uma recém cirurgia. Sangue em excesso jazia no chão, uma maca, também encharcada e uma pequena mesa onde havia uma bacia branca rasa, com aparelhos pontiagudos bizarros. Chego até ela e pego o que identifico como sendo um bisturi.

Volto até o primeiro andar através das escadas e olho por uma pequena abertura na porta, que esta estava bloqueada por fortes portas de metal. Decidida a sair dali, abro a porta de ímpeto. Olho ao meu redor e nada. Começo a andar então, apontando o bisturi para o vento. Vou até o balcão da recepcionista.

- Impossível, não tem nenhum telefone!
– Sussurro.
Olho ao meu redor. Numa porta mais à frente avisto o nome "Administração". Corro até ela. Empurro a porta. Uma ânsia de vômito me sobe instantaneamente ao ver órgãos de toda espécie empilhados em caixas transparentes. O cheiro era forte e pútrido.

Entro na sala e escoro a porta. Uma luz no teto iluminava o local. Vou até um móvel que jazia encostado na parede e abro algumas gavetas procurando informações, mas tudo o que acho são alguns envelopes. Abro um deles. As palavras “requerimento”, "órgãos" saltaram aos meus olhos. Um pavor crescente começou a crescer dentro de mim e a dor em meu estômago voltou a incomodar. Um gosto amargo me subia pela garganta.

Abri a última gaveta. Por cima de todos os envelopes, um se destacava. O destaque: meu nome impresso nele. Minhas mãos desataram a tremer, mas peguei o envelope e o abri.
Uma foto minha. Novamente “requerimento” e "órgão". "Rim".
Meu sangue gela. A dor em meu estômago cresce ainda mais. Meus olhos se dirigem às pilhas de caixas. Aproximo-me. Uma delas estava isolada, essa não transparente.

Me aproximo dela. Pego-a. Dentre uma série de 8 órgãos, um estava marcado. Rim. Mais embaixo, doador: Chelsea Raynes. Meu nome. Meus pés fraquejam. Perco a força. A caixa cai de minha mão e se abre, jogando o órgão ali guardado para fora. Um grito me escapa.

A porta atrás de mim se abre. Contenho a respiração. O médico aparece ali. Rastejo até ele e o abraço. Ele passa seus braços ao meu redor.
– Você está bem? – Eu pergunto.

- Sim… Eu acho. – Ele disse. Sua roupa continuava manchada de vermelho.
E lampejos me invadem a memória.
“Mesa”. “Sangue”. “Bisturi”. “- Você levou um tiro".
Minha momentânea segurança se esvai e o medo toma conta de cada centímetro do meu corpo. Meus pés tropeçam, o largo e me afasto.
– O que foi? – Ele pergunta.
– Você me enganou… – Minha voz falha.
– Do que você está falando? – Diz ele.

– Você disse que foi um tiro… Espera! - a minha ficha caiu. – Foi Você! – gritei.
Um esboço de sorriso tomou seus lábios. Ele meche no bolso de sua calça, tira um rádio comunicador. Aproxima-o da boca.
– Ela descobriu. –pronunciou.
Uma ânsia de vômito me subiu. Um chiado e a pessoa do outro lado respondeu.

– Pode matar. Já temos o que precisamos dela. – e desligou.
O médico me encarou depois.
– Como? – Pergunto.
– Como o que? - Como eu vim parar aqui?

- Somos uma gangue. Primeiro simulamos um assalto, trazemos a pessoa para o nosso “hospital”, retiramos o órgão que foi pedido e depois, matamos a pessoa e vendemos o órgão. Acredite em mim, seu rim não foi barato. A propósito, eu mesmo extraí seu rim. – disse, com um sorriso sarcástico nos lábios.
Me levantei com dificuldade e me encostei na parede.
– Mais alguma coisa? – Ele pergunta.
– Minha família virá atrás de mim. – digo, o encarando.

– Não se encontra alguém que já está morta! - Ele grita e vem pra cima de mim. É quando me lembro do bisturi e o levanto o suficiente para que perfure a barriga do médico. Forço ainda mais, levantando a mão, abrindo um rasgo de 10 centímetros em sua carne. O sangue espirra em todas as direções. Seu corpo cai no chão. Ajoelho-me ao seu lado. Seu corpo se contorcia em espasmos.

– Morra! – grito. E lhe desfiro um golpe mortal no pescoço, de lateral a lateral. Levanto-me e limpo o sangue do bisturi. Vou até a porta, a abro e caminho pelo corredor. O alarme demasiadamente estridente começa a tocar. UiUiUi. As luzes se apagam e luzes vermelhas se acendem em todo o andar, piscando ritmicamente com o alarme. Quando viro o corredor, dou de cara com um brutamontes parado ali. Um grito me escapa. Ele agarra meu braço com mão forte e pesada. Tento me esquivar, mas ele aumenta a pressão. Aos berros, uso a mão livre para perfurar-lhe o braço que me segurava com o bisturi.

Com um grunhido, ele solta meu braço e começo a correr sem rumo. O alarme alto me desnorteava e corria sem destino. Viro o outro corredor. Lá ao fundo, uma porta se abriu e a recepcionista saiu. Ela olhou para mim, mil expressões correram sua face. Do espanto ao assombro, do assombro ao medo, do medo à raiva. Ela começou a andar em minha direção. Corri até ela e a empurrei contra o bebedouro. Ela caiu, bateu a cabeça nele e desmaiou.

O segurança vira o corredor e aparece ali e concentro toda a minha agilidade nos pés. Corro até as escadas, abro a porta e corro até o segundo andar. Abro a porta do segundo andar com força sem me importar com o que estava ali. Corro até a primeira porta que encontro. Abro e não consigo segurar o vômito. Ali jazia sobre uma maca, um corpo aberto sobre uma maca, o tórax completamente escancarado e uma série de buracos.

Tampando o nariz e a boca, deslizo até a janela. Um grosso cadeado impedia que fosse aberta por trás do vidro. Enrolo um pano que estava no chão na mão e quebro todo o vidro. Corro até o banheiro e pego uma pedra de granito – que impedia a porta de fechar-se – volto até a janela e bato a pedra com toda a força no cadeado uma, duas, três vezes até que ele se rompe. Empurro a grade e abro a janela. Agora eu via claramente. O local era realmente deserto. As luzes da cidade estavam demasiadamente distantes. Havia uma iluminação que só me permitia ver o gramado que circundava o prédio.

Havia somente um carro estacionado ali e coincidentemente estava bem debaixo da janela do que fora meu quarto. Sento-me no beiral da janela, me preparo para a queda e salto, os – mais ou menos – oito metros se passaram lentamente. Meu coração gelou. O mundo se tornou um borrão em movimento até o choque com o chão. A queda pressionou meu braço e ele começou a doer instantaneamente. A lateral de minha barriga começou a derramar uma trilha de sangue sobre o meu corpo. Logo depois, olho para a janela de onde pulei. O brutamontes aparece ali.
Ele pega o rádio comunicador e o aproxima da boca.
– Ela conseguiu fugir! – grita.

O carro que estava ali atrás de mim liga o farol e me ilumina. O carro liga. Começo a correr. O carro inicia-se numa velocidade lenta e vai progredindo. Tomo uma pequena vantagem pela velocidade vagarosa e corro até a rodovia. Vejo o carro que me perseguia se aproximar e me jogo no meio da densa grama que se erguia em ambos os lados da estrada. O carro para bem perto e um homem de cabelos raspados desce dele. Olha para a frente e para atrás, para os dois lados da estrada e retorna para dentro do carro, voltando para o hospital.

Espero alguns minutos e me levanto. Espero alguns instantes até que um carro vem se aproximando. Corro pra frente dele.
– Por favor! Me ajude! – grito, e a moça que dirigia para o carro.
– Você está bem, moça? Ela pergunta.

- Por favor, você pode me levar até a cidade? Preciso de ajuda!

– Claro, moça, pode entrar aí. – disse ela, estampando um olhar preocupado no rosto. Entro e fecho a porta. Ela me entrega um cobertor e me embrulho. Ela engata a marcha, pisa no acelerador e o carro começa a andar. Toma a direção da cidade, deixando tudo aquilo para trás. Mas eu sabia que havia uma mente maior por trás daquilo, alguém para quem todos trabalhavam, e que minha fuga não ficaria impune. Eu sabia que viriam atrás de mim.

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