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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Corredores Sombrios (Parte 1)

Branco.

Tudo é branco.

Teto branco, paredes brancas, tecidos brancos, cama branca, pessoas brancas.
– Como você se sente? – Pergunta um médico de cabelos negros, um rosto claro e feições simpáticas que esboçavam um sorriso.
Ele se aproxima de mim, põe a mão em minha testa e checa meu pulso.
Tento lembrar-me do que me trouxe até aqui, mas pedaços de minha memória sumiram. Eu me lembrava de estar andando por uma rua à noite, depois disso, vazio.

- O que estou fazendo aqui? – Pergunto, desesperando-me, tentando me sentar e uma dor aguda toma minha barriga.
– Ei, ei, acalme-se, você... Levou um tiro. – Disse o médico bonitão, estendendo as mãos.

- Um tiro? – Pergunto.
– Sim, acertou sua barriga, mas não pegou nenhum órgão vital. Você é forte, vai se recuperar em pouco tempo.
– E quem foi? – Pergunto. – Ainda não sabemos nem quem, nem porque, mas suspeitamos de tentativa de latrocínio, já que você chegou aqui somente com a roupa do corpo e uma bolsa totalmente vazia.

- Meus pais sabem?
– Já estão chegando. - Ele disse. – Do que você se lembra? Seu nome?
– Chelsea! Eu não perdi a memória, só não me lembro de como vim parar aqui.
– Te deixaram aqui na porta. Não sabemos quem. Agora, recomendamos que você durma um pouco. Quando acordar, encontrará seus pais.

- Tudo bem. – Digo. Recosto-me na cama, dou uma última olhada no médico. Ele sorri para mim, dentes brancos num sorriso encantador. Viro-me para um canto e fecho os olhos. Poucos instantes e começo a dormir. Um barulho fora do quarto me desperta. Olho pela janela. Haviam grades do lado de fora. Já havia escurecido. Um relógio na parede me indicava ser 1 hora da manhã. Pergunto-me o que pode ter caído.

Sento-me com dificuldade, aliviada pela dor ter praticamente sumido. Firmo os pés e dou um primeiro passo. Meus pés ameaçam vacilar e quase chego ao chão. Uso a cama como apoio e consigo firmar os pés. A dor inicial se dissipa e logo fico em pé sem dificuldades. Caminho até a janela. Esfrego o vidro dela com a mão e tento olhar por ele.

Havia um poste de iluminação um pouco a frente. Tudo o que vejo são luzes bem ao longe. O lugar era deserto. Olho para baixo. Eu deveria estar no quarto andar. Viro-me e olho para a porta. Dou alguns passos para alcançá-la, mas no meio do caminho, algo no chão chama minha atenção. Do armário em uma das paredes escorria um líquido espesso. Esqueço a porta e me dirijo até o armário. Abaixo-me com dificuldade, a ínfima dor novamente nascendo em minha barriga. Toco o liquido vermelho com a ponta dos dedos. Analiso-o sobre a luz. Grosso.

Estendo a mão até a maçaneta e abro o armário. A porta se abre, um clique oco ecoando pelo quarto. Cubro as mãos com a boca para abafar um grito ao ver um corpo ensanguentado guardado ali. O corpo desaba sobre mim. Em desespero, empurro-o para o lado e me levanto assustada. Corro até a porta. O corredor estava deserto, exceto por um aparelho de metal caído no chão, provavelmente o que me acordara.

- Socorro! Alguém! – grito.

Começo a andar pelo corredor, apoiando as mãos na parede, buscando ajuda. Um gosto amargo me sobe pela garganta e forço a para fazê-lo voltar a seu lugar. Meu coração acelera quando um alarme agudo começa a soar em todo o hospital. Meus ouvidos latejavam. Os cubro com as mãos para tentar abafar o som e começo a correr sem rumo até que chego a um banheiro.

Aquele barulho estava me enlouquecendo. Entro e bato a porta. Jogo um pouco de água no rosto e cerro os olhos, tentando isolar aquele barulho e me concentrar em meus pensamentos. Eu jamais tinha visto aquele homem em minha vida. Quem era ele? Quem o matara? E porque estava em meu quarto? Abro a porta do banheiro para sair e um grito me escapa quando o médico bonitão aparece ali.

- Chelsea! Estava te procurando.

- Por favor, preciso de ajuda!

- O que foi?

- Tem alguém... tem um homem morto! – sussurro a palavra que me arrepia o corpo.

- Onde? – ele pergunta, me olhando com um olhar inquisidor.

- No meu quarto… – digo, ainda sussurrando.

- Me leve até ele! – ele diz. – Você o conhece.

- Acho que não... – digo e começo a correr até meu quarto. Aquele alarme estava me enlouquecendo. Chegamos lá em pouco tempo.

- Deus! – diz ele atrás de mim. É o Joseph!

- Joseph? Você o conhece? – pergunto.

- Ele trabalha aqui. É meu amigo...
– Sinto muito… – Digo, tentando consolá-lo.
– Quem fez isso? – Ele pergunta
– Não sei. – Sussurro.
– Vamos sair daqui! – Ele diz.



Pega minha mão e corremos até o corredor. Paramos ao vermos um homem parado ali.
– Você o conhece? – Pergunto baixinho e o vejo menear um breve não com a cabeça.
Ele nos encara.

- Quem é o senhor? – O médico pergunta, mas ele nada responde.
A luz revela seu corpo, enquanto seu rosto permanecia omitido nas sombras.
Ele começa a avançar em nossa direção com velocidade. Dez metros se tornam 9, 8, 7… Tira uma arma de seu bolso.

- Corra Chelsea! - O médico grita e começamos a correr. Ele ia na frente segurando minha mão. Grito ao escutar um tiro e logo depois. O médico solta minha mão e cai no chão. Viro-me dentro de segundos para o ver coberto de sangue. O líquido vermelho ensopava sua roupa branca.

– Não! - grito.
– Vá Chelsea! Fuja!

Dou uma última olhada em seus olhos e desvio o olhar para o homem que se aproximava. Me ponho a correr, aumentando a distância entre mim e o homem. Viro um corredor e avisto uma porta bem ao fim. Corro até ela, olho para trás. O homem aparece. Abro a porta assustada e meu pé vacila, me fazendo tropeçar e cair escada abaixo. Caio por três andares até que uma parede me faz parar e me levanto. Olho para a porta acima.

O homem aparece ali e começa a descer as escadas. Devido à queda, uma dor começou a se espalhar por minha barriga. Chego a uma porta mais a frente, e quando olho para cima, o homem havia sumido.

Começo a ouvir uma conversa mais à frente.
– Ela precisa ser recuperada. Pode causar estragos se sair dessa viva.
– Temos pessoas atrás dela, ela não sairá viva.
– O médico e meu homem estão atrás dela, se a vir, não deixe passar por essa porta.
– Sabe que não deixarei. – A voz feminina diz. E logo depois, escuto um beijo.
 Com “ela”, estavam se referindo a mim? Por que eu não podia sair? Eu precisava sair, tinha um assassino ali!

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