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terça-feira, 16 de julho de 2013

O Roubo do Hidromel (Parte2)

Por esta época, entretanto, já andava pelo mundo um deus, ainda muito jovem, mas que já era sábio e dinâmico o bastante para ter criado muitas coisas. Seu nome era Odin e poucos desconheciam o seu poder e inteligência. Por muito tempo, intrigara-o o caso do infeliz deus Kvasir, morto pelos anões. Todos, em Asgard, sabiam da tragédia e a grande especulação estava voltada para o fato de se saber onde andaria o tal caldeirão do hidromel, pois todos queriam provar desta maravilhosa bebida.
- Odin, somente você poderá nos trazer este deleite supremo! - diziam-lhe todos, confiando no seu gênio e na sua capacidade de conseguir o que queria.
Depois de tanto ser aborrecido com esta história, Odin decidiu-se, afinal, a ir procurar pela tal bebida. O deus seguiu a pista dos anões e, após havê-los encontrado, conseguira arrancar deles a história dos seus crimes.
- Onde está o hidromel, vermezinhos? - disse ele, ameaçando-os com uma terrível punição.
Os anões confessaram que Suttung, o filho dos mortos, havia-o levado, o que bastou para Odin dar-lhes as costas e os deixar chacoalhando os joelhos em cima de duas pequenas poças amarelas. O deus dirigiu-se, imediatamente, para as terras de Suttung. Já ia a meio do caminho, quando passou por um campo onde havia nove homens ceifando. Eram os lavradores de Baugi, o irmão de Suttung. Odin percebeu, logo, que as foices que eles usavam estavam completamente cegas.

- Ei, campônios, não querem amolar as suas foices? - disse ele, com um grito.
- Oh, sim! claro que queremos! - responderam, aliviados.
Odin não levou muito tempo para torná-las tão afiadas como eram no dia em que saíram da forja, graças à sua afiadíssima pedra de amolar.
- Esta sua pedra é mágica! Dê-a para nós! - exclamou um deles.
- Claro, aqui está - disse Odin, lançando-a para eles.
Imediatamente, todos se precipitaram para apanhá-la. Na confusão, entretanto, foram com tanta gana à pedra, que se engalfinharam numa briga tremenda, terminando todos estendidos no solo com as gargantas cortadas.
- Oh, deuses, que lástima! - disse Baugi, o senhor dos nove servos mortos.
- Não se aflija - disse Odin, adiantando-se. - Terminarei o serviço deles em troca, apenas, de uma deliciosa taça de hidromel.
- Quem é você, afinal, homem da pedra que mata? - disse Baugi, intrigado.
- Meu nome é Bolverk - respondeu Odin, começando a ceifar o campo.
(Bolverk quer dizer "perverso", mas Baugi não foi atilado o bastante para se dar conta do perigo.)
- Infelizmente, o caldeirão onde ferve o hidromel está sob o controle do meu irmão - disse Baugi, cocando a cabeça -, mas vou falar com ele e ver se consigo arranjar-lhe uma taça.
- Faça isto, meu amigo - disse Odin, de cabeça baixa e afetando indiferença.
Odin ceifou todo o campo - o que lhe custou um bocado de tempo - até que, finalmente, concluiu sua tarefa. Infelizmente, Baugi não conseguira nada com o irmão, que não queria ceder nem um único gole da preciosa bebida.
Odin e Baugi decidiram, então, recorrer à astúcia para que o primeiro pudesse se apoderar do seu justo prêmio.
- Mas me prometa que se servirá somente de uma pequena taça! - disse Baugi ao colega, que prometeu, prontamente, com um sorriso oculto nos lábios.

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